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Protesto em Belém, durante COP30: países e organizações civis insistiram em inclusão de um roteiro para o fim dos combustíveis fósseis, mas tema ficou fora do texto final. (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter de ESG
Publicado em 19 de abril de 2026 às 14h01.
A cidade de Santa Marta, na Colômbia, recebe entre os dias 24 e 29 de abril a Primeira Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, um encontro que pretende discutir caminhos concretos para reduzir o uso de petróleo, gás e carvão.
Organizado por Colômbia e Países Baixos, o evento deve reunir mais de 50 países, além de representantes da sociedade civil, academia e governos subnacionais. A proposta é criar um espaço intergovernamental e multissetorial voltado à coordenação de ações para acelerar a chamada transição energética.
A escolha de Santa Marta tem caráter estratégico e simbólico. A cidade portuária está ligada à exportação de carvão na Colômbia, um dos principais produtores de combustíveis fósseis da região, e foi definida após negociações diplomáticas entre países envolvidos na temática durante a COP30.
A conferência busca responder diretamente à expansão contínua da produção de combustíveis fósseis, considerada um dos principais fatores da crise climática. A proposta central é avançar na eliminação progressiva dessas fontes de energia, com foco em uma transição considerada “justa”, que leve em conta impactos econômicos e sociais.
“Esta conferência surge em um momento de ruptura em nível global. Vimos um bloqueio nos espaços multilaterais para avançar na eliminação dos combustíveis fósseis”, afirmou a vice-ministra colombiana Luz Dary Carmona.
O encontro também ocorre em meio a um cenário de instabilidade energética global. Materiais da conferência apontam que conflitos recentes, como na Ucrânia e no Oriente Médio, reforçam a conexão entre combustíveis fósseis, volatilidade de preços e riscos geopolíticos.
“Nós, claro, não sabíamos que uma guerra iria eclodir, mas já conhecíamos os desafios da dependência de combustíveis fósseis”, afirmou Irene Vélez, ministra do Meio Ambiente da Colômbia. “Esta conferência acontece no melhor momento possível.”
A realização da conferência também reflete a insatisfação de países com o ritmo das negociações climáticas globais, especialmente após o impasse sobre a eliminação dos combustíveis registrado na COP30, realizada em novembro, em Belém.
No último dia da conferência, Irene Vélez criticou a dificuldade de avançar em compromissos concretos para reduzir o uso de combustíveis fósseis. "Todos os grupos estão dizendo que o texto não aborda suficientemente os temas importantes relacionados à redução gradual dos combustíveis fósseis, ao roteiro para a natureza e as florestas, à adaptação e ao financiamento", disse, questionada pela EXAME. "Mas há uma relutância em tratar desses assuntos."
Segundo a ministra, propostas defendidas por um grupo de mais de 40 países foram bloqueadas durante as negociações.
“Estamos sendo forçados a tratar apenas do que estava no primeiro rascunho. Isso não é aceitável”, afirmou. “As questões que colocamos na mesa estão sendo silenciadas. Estão bloqueadas. Nós, os ambiciosos, estamos sendo enquadrados como os bloqueadores. Isso é profundamente injusto.”
Ela também apontou resistência de países produtores de petróleo em incluir qualquer referência à eliminação gradual dos combustíveis fósseis. “Os países produtores de petróleo querem focar apenas em adaptação. Mas adaptação não basta se a mitigação não vier junto. A causa raiz do problema são os combustíveis fósseis", afirmou. "Como vamos sair desta COP dizendo às pessoas que negamos a verdade científica mais básica, de que os fósseis são responsáveis por mais de 80% das emissões?", disse na época.
Para Vélez, a falta de avanço pode comprometer metas climáticas globais. “Estamos há 30 anos tentando enfrentar os problemas reais, e estamos 30 anos atrasados para tomar decisões", afirmou.