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Como o Brasil lidera a revolução energética global

Camila Ramos, CEO da CELA, revelou à EXAME as principais tendências da transição energética e alerta sobre desafios geopolíticos com Trump

Apenas em 2024, as baterias tiveram uma queda de preço de 40% e seguem a mesma tendência da energia eólica e solar (Leandro Fonseca /Exame)

Apenas em 2024, as baterias tiveram uma queda de preço de 40% e seguem a mesma tendência da energia eólica e solar (Leandro Fonseca /Exame)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 15h00.

O Brasil se consolida como líder em transição energética, mas enfrenta desafios técnicos e pressões geopolíticas que podem afetar o ritmo da descarbonização global.

A avaliação é de Camila Ramos, CEO e fundadora da CELA, consultoria especializada em investimentos em energia renovável na América Latina.

"O discurso de Trump anti-clima nos Estados Unidos é perigoso, tudo que acontece lá impacta o mundo", observou. Mesmo com possíveis efeitos na expansão de renováveis, ela pontua que pode haver uma "reconfiguração positiva" e a China consolidar sua liderança em energias verdes e novas tecnologias.

Em entrevista ao videocast da EXAME, a executiva detalhou como tecnologias emergentes estão revolucionando o setor energético brasileiro, desde a queda dramática nos custos de armazenamento em baterias até o protagonismo dos data centers na contratação de energia limpa.

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Baterias são grande aposta

Apenas em 2024, as baterias tiveram uma queda de preço de 40%. "Minha expectativa para 2025 é que tenhamos uma redução de 15 a 20% novamente", destacou Camila, ao lembrar que os leilões previstos para o segundo semestre devem ajudar a escalar a tecnologia verde. 

O governo brasileiro respondeu à competitividade com medidas concretas. Este ano, a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) anunciou o arcabouço regulatório para sistemas de armazenamento, e está previsto um leilão específico para este segundo semestre, além da participação das baterias em leilões na região amazônica.

Segundo a especialista, a tendência segue o mesmo padrão observado nas energias eólica e solar. 

"Lá nos anos 2000, começamos a instalar eólicas aqui no Brasil e lá por 2009 esse custo foi caindo e hoje é mais competitivo. A mesma coisa aconteceu com a solar", explicou.

Com vantagens comparativas únicas, o país tem quase 90% da sua matriz vindo de fontes limpas e possui recursos naturais abundantes para a diversificação.

Data centers lideram demanda por energia limpa

Um dos fenômenos do setor é o protagonismo dos data centers, que em 2024 foi o que mais contratou energia limpa no Brasil (cerca de 1/3 no longo prazo).

Foram cerca de 208 megawatts médios contratados nos próximos 10 a 20 anos, impulsionados pelo crescimento da inteligência artificial.

"Agora que todo mundo usa ChatGPT e a a IA consome muita eletricidade, a questão é: de onde vai vir esta energia?", refletiu a CEO. A Cleantech tem trabalhado para impulsionar a agenda encontrando locais com conexão adequada e contratos mais competitivos no mercado.

Hidrogênio verde também é tendência 

Entre as tecnologias emergentes, o hidrogênio verde é uma solução em alta para "setores altamente emissores e de difícil descarbonização", por ser originado de fontes renováveis.

Embora ainda não tenha escala, as aplicações são vastas e estratégicas para o Brasil, destacou Camila. "Podemos produzir fertilizante verde, combustível sustentável de aviação (SAF), aço de baixo carbono e utilizar em diversos outros processos industriais que hoje ainda dependem de combustíveis fósseis", disse.

COP30 foi janela de oportunidade 

Por trás dos avanços tecnológicos, permanece a urgência climática. O Brasil enfrenta um dilema fundamental sobre seu posicionamento energético.

"Alguns anúncios importantes como a liberação da exploração de petróleo na margem equatorial de petróleo e gás são sinais de que estamos caminhando na direção contrária", ponderou Camila.

Ela cita outra contradição: um anúncio desde ano de um leilão de compra de térmicas fósseis, no oposto da trajetória de crescimento de renováveis.

Por outro lado, a CEO entendeu a COP30 em novembro como uma oportunidade única: "Devemos mostrar nossa liderança e os caminhos para países buscarem atingir esse nível de descarbonização em suas matrizes", destacou.

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