Ciência

Vai beber cerveja na final da Copa? Estudo revela benefício inesperado para a saúde

Pesquisa identificou vitamina B6 em diferentes tipos de cerveja, mas especialistas alertam que o álcool continua oferecendo riscos à saúde

Cerveja: pesquisadores encontraram quantidades mensuráveis de vitamina B6 na bebida, apesar de consumo continuar oferecendo riscos à saúde (Freepik)

Cerveja: pesquisadores encontraram quantidades mensuráveis de vitamina B6 na bebida, apesar de consumo continuar oferecendo riscos à saúde (Freepik)

Publicado em 19 de julho de 2026 às 06h08.

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Quem pretende beber cerveja durante a final da Copa do Mundo de 2026 pode encontrar mais do que um motivo para comemorar. Um novo estudo revelou que a bebida pode fornecer quantidades relevantes de vitamina B6, nutriente essencial para o funcionamento do cérebro, do sistema imunológico e para a produção de células sanguíneas.

A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade de Munique, na Alemanha, que identificaram o nutriente em diferentes tipos de cerveja, incluindo algumas versões sem álcool. Em alguns casos, uma única garrafa foi capaz de fornecer uma parcela significativa da ingestão diária recomendada de vitamina B6.

Os resultados foram publicados no Journal of Agricultural and Food Chemistry, periódico da Sociedade Química Americana.

Quais cervejas têm mais vitamina B6?

Segundo a pesquisa, a vitamina B6 permanece na cerveja devido a estar presente naturalmente em ingredientes como cevada, trigo e levedura e por não ser totalmente eliminada durante o processo de fermentação.

Entre as bebidas analisadas, as cervejas do tipo bock apresentaram as maiores concentrações do nutriente. Em seguida apareceram as lagers, as cervejas escuras e as de trigo. Na outra ponta, as cervejas produzidas com arroz registraram os menores níveis de vitamina B6.

Os pesquisadores também observaram diferenças entre as versões sem álcool. Aquelas produzidas por fermentação completa e que têm o álcool removido posteriormente concentraram mais vitamina B6 do que as fabricadas com leveduras que já produzem pouco álcool.

De acordo com o estudo, uma cerveja lager de 500 mililitros pode fornecer cerca de 15% da ingestão diária recomendada de vitamina B6. Em alguns casos, esse percentual chegou a aproximadamente 20%. Uma das cervejas sem álcool analisadas apresentou quase 59% da recomendação diária.

Para os resultados, os cientistas analisaram 65 tipos de cerveja vendidos em supermercados alemães.

Qual a importância da vitamina B6?

A vitamina B6 desempenha diversas funções no organismo. O nutriente participa do funcionamento do sistema nervoso, da produção de neurotransmissores, da formação das células do sangue, além do fortalecimento do sistema imunológico.

Segundo o sistema público de saúde do Reino Unido (NHS), homens adultos precisam de cerca de 1,4 miligrama de vitamina B6 por dia, enquanto a recomendação para mulheres é de 1,2 miligrama.

A deficiência desse nutriente é considerada incomum, já que ele está presente em diversos alimentos, como carnes, peixes, aveia, batata, grão-de-bico e cereais enriquecidos. Quando ocorre, costuma estar associada à deficiência de outras vitaminas do complexo B e pode provocar sintomas como fadiga e náuseas.

Descoberta não significa que cerveja seja fonte de vitaminas

Apesar dos resultados, os próprios pesquisadores ressaltam que a descoberta não deve ser interpretada como um incentivo ao consumo de cerveja para obter vitamina B6.

Segundo Michael Rychlik, um dos autores do estudo, a quantidade encontrada é relevante do ponto de vista científico, mas não atende aos critérios necessários para que a bebida seja considerada oficialmente uma fonte de vitaminas em seu rótulo.

A nutricionista Bridget Benelam, da Fundação Britânica de Nutrição, também afirma que vitaminas devem ser obtidas principalmente por meio de uma alimentação equilibrada. Segundo ela, a maioria das pessoas consegue consumir vitamina B6 em quantidade suficiente por meio da dieta, sem necessidade de recorrer a bebidas alcoólicas.

O álcool continua oferecendo riscos à saúde

Embora o estudo tenha identificado vitamina B6 na cerveja, especialistas reforçam que isso não altera as recomendações sobre o consumo de álcool.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que não existe um nível seguro para o consumo de bebidas alcoólicas. Segundo a entidade, o álcool esteve relacionado a 2,6 milhões de mortes em todo o mundo em 2019 e está associado ao desenvolvimento de pelo menos sete tipos de câncer, além de aumentar o risco de doenças cardiovasculares, acidentes, violência e algumas doenças infecciosas.

Pesquisas também mostram que o álcool pode afetar regiões do cérebro responsáveis pelo equilíbrio, memória, controle emocional e funções cognitivas. Por isso, os especialistas destacam que a presença de vitamina B6 na cerveja representa um achado científico interessante, mas não transforma a bebida em uma alternativa saudável para suprir esse nutriente.

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