Timo: localizado entre o coração e o esterno, órgão tem se provado parte essencial de um sistema imune saudável (MEHAU KULYK/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 16 de julho de 2026 às 09h18.
Por muito tempo, o timo foi considerado um órgão quase sem importância. Localizado entre o esterno e o coração, ele começa a encolher após a puberdade até ser substituído, em grande parte, por tecido gorduroso.
Agora, pesquisadores acreditam que esse desaparecimento pode estar diretamente ligado ao envelhecimento e ao aumento do risco de doenças.
O interesse pelo órgão cresceu rapidamente nos últimos anos, impulsionado por estudos que relacionam a perda de sua função a um maior risco de câncer, doenças cardiovasculares e morte. A corrida para desenvolver terapias capazes de regenerar o timo já mobiliza empresas de biotecnologia, investidores e pesquisadores em diversos países, de acordo com a Nature.
Durante décadas, cientistas acreditavam que o timo fosse praticamente dispensável na vida adulta. Essa visão começou a mudar nos anos 1960, quando experimentos mostraram que o órgão é responsável pela produção dos linfócitos T, células fundamentais para combater infecções e reconhecer células cancerígenas.
Embora continue produzindo essas células ao longo da vida, sua capacidade diminui drasticamente com a idade. Aos 40 anos, o timo gera cerca de um quarto dos linfócitos T produzidos durante a infância. Aos 65, essa produção cai para aproximadamente 10%.
Por muito tempo, acreditou-se que isso não representasse um problema. Hoje, porém, pesquisadores argumentam que a redução pode enfraquecer progressivamente o sistema imunológico e comprometer a capacidade do organismo de responder a novas infecções e tumores.
O interesse científico aumentou após uma série de pesquisas recentes. Um estudo publicado em 2023 mostrou que pessoas submetidas à retirada cirúrgica do timo apresentavam quase três vezes mais risco de morrer e o dobro da probabilidade de desenvolver câncer nos cinco anos seguintes, em comparação com indivíduos que mantiveram o órgão.
Neste ano, dois novos trabalhos analisando dados de mais de 31 mil pessoas reforçaram essa hipótese. Os pesquisadores observaram que indivíduos com um timo menor apresentavam maior risco de morte, câncer e doenças cardiovasculares, além de responderem pior à imunoterapia contra o câncer.
Os próprios autores ressaltam que esses estudos demonstram apenas uma associação, e não uma relação direta de causa e efeito. Ainda assim, os resultados impulsionaram novos investimentos na área.
Empresas de biotecnologia passaram a apostar em diferentes estratégias para restaurar o funcionamento do timo. Uma das mais avançadas é liderada pelo criobiólogo Gregory Fahy, que há três décadas realizou um experimento em si mesmo utilizando hormônio do crescimento na tentativa de regenerar o órgão.
Hoje, sua empresa conduz pequenos estudos clínicos com uma combinação de hormônio do crescimento e outros compostos administrados por injeções. Em um grupo de dez voluntários, os pesquisadores observaram sinais de rejuvenescimento medidos pelos chamados "relógios epigenéticos", indicadores biológicos relacionados ao envelhecimento. Em média, esses marcadores recuaram cerca de dois anos e meio após um ano de tratamento.
Outras empresas investigam abordagens diferentes, como anticorpos capazes de retardar o encolhimento do timo e terapias com células-tronco destinadas a formar novo tecido funcional.
Apesar do entusiasmo, os cientistas afirmam que a área ainda está em seus primeiros passos. Um dos principais desafios é desenvolver medicamentos capazes de agir especificamente sobre o timo, além de comprovar que um órgão regenerado recupera plenamente sua capacidade de produzir linfócitos T funcionais.
Também há preocupação com possíveis efeitos colaterais de algumas abordagens, especialmente aquelas baseadas em hormônio do crescimento, que podem aumentar os níveis de açúcar no sangue e, potencialmente, elevar o risco de alguns tipos de câncer.