Flávio Bolsonaro concede entrevista após ato de campanha ( Charles Vieira/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro/Divulgação)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 27 de setembro de 2026 às 20h44.
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou neste domingo, 27, que integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) teriam ajudado o PT a disseminar o boato, classificado por ele como falso, de que o bolsonarista e sua família pretendem tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A CNBB, que reúne bispos brasileiros, reagiu e refutou qualquer ligação partidária e disse que "a mentira não se combate com outra mentira".
A declaração de Flávio foi dada a jornalistas após uma carreata de sua campanha em Goiânia. O candidato comentava uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que reverteu determinação do ministro André Mendonça, no Tribunal Superior Eleitoral, para que redes sociais tirassem do ar quaisquer posts que associassem Flávio e sua família a uma suposta tentativa de retirar da santa o título de padroeira.
"A maior fake news dessa campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida. Nunca. Não existia esse movimento para tirar ela de ser padroeira do Brasil. O PT estava há alguns dias tentando levantar essa fake news. Conseguiu com a ajuda de gente de dentro da CNBB, é a realidade", afirmou.
O senador também chamou de "canetaço" a decisão de Dino e disse que ela ajudava o que o filho de Jair Bolsonaro chama de "liga da mentira do PT".
Em nota, a CNBB refutou a afirmação de Flávio Bolsonaro, mas não o citou nominalmente. A entidade diz que "não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral".
"A Conferência repudia a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar. A CNBB não integra qualquer estrutura político-partidária, de partido ou candidatura. Suas manifestações sobre as eleições decorrem de sua missão pastoral e de princípios públicos expressos em seus documentos, orientados pela dignidade humana, pelo bem comum, pela democracia e pela liberdade de consciência", prossegue o documento.
"Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira", diz o texto.