SORA-Q: rover japonês do tamanho de uma bola de tênis se transformava para explorar a superfície da Lua (D. Hirano/Divulgação)
Redatora
Publicado em 15 de junho de 2026 às 14h20.
Um pequeno robô japonês inspirado nos Transformers conseguiu realizar uma missão na Lua e demonstrar que veículos exploradores em miniatura podem operar de forma autônoma em ambientes extraterrestres.
Chamado SORA-Q, o equipamento tem apenas 8 centímetros de diâmetro e foi desenvolvido pela Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) em parceria com a Sony, a Universidade Doshisha e a fabricante de brinquedos Takara Tomy.
Os detalhes da missão foram apresentados em um estudo publicado na revista científica Science Robotics.
O SORA-Q foi enviado ao espaço a bordo da missão SLIM (Smart Lander for Investigating Moon), da JAXA. Após o pouso da nave na Lua, em janeiro de 2024, o pequeno rover foi liberado na superfície ao lado de outro robô experimental chamado LEV-1.
Inicialmente, o SORA-Q tinha o formato de uma esfera semelhante a uma bola de tênis. Depois de ser implantado, transformou-se em um veículo de duas rodas capaz de se locomover pelo terreno lunar.
Os hemisférios que formavam a esfera passaram a funcionar como rodas. Entre eles, uma câmera foi posicionada para registrar imagens da superfície, enquanto uma pequena estrutura traseira foi acionada para atuar como estabilizador durante os deslocamentos.
A capacidade de transformação do rover tem relação direta com uma de suas parceiras no projeto. A fabricante de brinquedos Takara Tomy, coproprietária da marca Transformers no Japão, utilizou conhecimentos desenvolvidos na criação dos famosos robôs para projetar o mecanismo que permitiu ao SORA-Q mudar de forma após chegar à Lua.
A ideia era produzir um explorador extremamente compacto, capaz de ser transportado com baixo custo e alcançar locais que seriam difíceis para veículos maiores.
Após se transformar, o SORA-Q percorreu a região próxima ao módulo de pouso e registrou imagens coloridas da superfície lunar.
O local da missão fica próximo à cratera Shioli, situada dentro da cratera Cyrillus, na região conhecida como Mare Nectaris, no lado visível da Lua.
Além de fotografar o ambiente, o rover demonstrou capacidades de navegação autônoma. Utilizando imagens captadas por suas câmeras, o equipamento conseguia identificar obstáculos e se deslocar sem necessidade de comandos enviados diretamente da Terra.
Como seu tamanho reduzido impunha limitações técnicas, o SORA-Q não possuía sistemas para se comunicar diretamente com a Terra. Para contornar esse desafio, ele atuou em conjunto com o pequeno robô saltador LEV-1.
Os dados captados pelo SORA-Q eram enviados ao LEV-1, que os repassava ao módulo de pouso e, posteriormente, às equipes de controle. Segundo os pesquisadores, a experiência demonstrou que pequenos robôs cooperativos podem executar tarefas complexas de exploração espacial sem depender de grandes veículos exploradores.
A comunicação com os robôs foi encerrada após cerca de 100 minutos de operação, um pouco antes do previsto pelos engenheiros.
Os pesquisadores acreditam que o fim da missão pode ter sido causado por danos sofridos pelo LEV-1 durante seus saltos ou pelo esgotamento de sua bateria.
Para os autores do estudo, o sucesso da missão sugere que futuras expedições poderão utilizar enxames de pequenos robôs para investigar regiões de difícil acesso, reduzindo custos e ampliando as possibilidades de exploração da Lua e de outros corpos do Sistema Solar.