Ciência

O que é 'supercélula de tempestade', fenômeno que causou o tornado no Rio Grande do Sul?

Estrutura atmosférica é considerada a mais intensa da natureza e pode produzir granizo, chuva extrema e ventos destrutivos

Tornado: fenômeno atingiu o noroeste do Rio Grande do Sul após a formação de uma 'supercélula de tempestade' (Reprodução/X)

Tornado: fenômeno atingiu o noroeste do Rio Grande do Sul após a formação de uma 'supercélula de tempestade' (Reprodução/X)

Publicado em 29 de julho de 2026 às 19h15.

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Um tornado atingiu municípios do noroeste do Rio Grande do Sul na noite da última terça-feira, 28, deixando pessoas feridas e provocando danos em residências, queda de árvores e prejuízos em áreas rurais. Segundo a Prefeitura de Giruá, as comunidades de Rincão dos Coimbras, Rincão dos Mellos, Rincão dos Ribeiros, Amaral e Melgarejo estão entre as mais afetadas pelo evento climático.

De acordo com o meteorologista Luiz F. Nachtigall, da MetSul Meteorologia, o tornado foi gerado por uma "supercélula de tempestade", considerada o tipo de tempestade com maior potencial para produzir fenômenos extremos.

O que é uma 'supercélula de tempestade'?

Segundo a MetSul, a supercélula é o tipo mais intenso de tempestade e se diferencia pela presença de uma corrente ascendente em rotação, chamada de mesociclone.

Essa estrutura permite que a tempestade permaneça organizada por várias horas e percorra grandes distâncias. Além dos tornados, ela pode produzir chuva intensa, granizo de grande tamanho, forte atividade elétrica e rajadas de vento destrutivas.

Embora nem toda supercélula produza um tornado, a maior parte dos tornados mais fortes e destrutivos se desenvolve a partir desse tipo de tempestade.

Como esse tipo de tempestade se forma?

De acordo com Luiz F. Nachtigall, uma supercélula se forma quando há a combinação de uma atmosfera muito instável, grande disponibilidade de umidade e forte cisalhamento do vento — mudança na velocidade e na direção dos ventos conforme a altitude.

Essas condições fazem com que a corrente ascendente passe a girar, formando o mesociclone e favorecendo o desenvolvimento de tempestades severas.

Segundo a MetSul, os tornados costumam se formar quando massas de ar quente e úmido encontram massas de ar frio e seco. Em geral, esses fenômenos se deslocam entre 16 km/h e 32 km/h, enquanto seus ventos podem alcançar até 400 km/h.

No caso do Rio Grande do Sul, a região já apresentava um ambiente extremamente favorável para esse cenário, com ar quente e úmido, temperaturas próximas de 33°C e atuação de um jato de baixos níveis, corrente de ventos que transporta calor e umidade e intensifica a instabilidade atmosférica.

Condições já indicavam risco de tornados

Ainda na manhã de terça-feira, a MetSul alertou que o noroeste gaúcho reunia condições muito favoráveis para a formação de tornados. Segundo o instituto, imagens de satélite já mostravam o desenvolvimento de uma supercélula isolada, que evoluiu rapidamente e deu origem ao tornado.

Imagens divulgadas nas redes sociais registraram a passagem do fenômeno entre os municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho.

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