Idosos: estudo indica que restringir horários de refeição pode ajudar a preservar a memória na terceira idade (Marina April/Shutterstock)
Repórter
Publicado em 29 de julho de 2026 às 16h31.
Restringir o horário das refeições ao longo do dia pode trazer benefícios que vão além da perda de peso. Um estudo piloto apresentado nesta semana durante a conferência NUTRITION 2026, da American Society for Nutrition, nos Estados Unidos, sugere que concentrar a alimentação entre 10h e 18h e evitar comer nas quatro horas que antecedem o sono pode ajudar a desacelerar o declínio cognitivo em idosos.
A pesquisa, coordenada por Sue Shapses, professora da Universidade Rutgers, acompanhou 47 mulheres de 50 a 79 anos com sobrepeso ou obesidade. Todas reduziram a ingestão diária em 500 calorias, mas foram divididas em dois grupos: 26 participantes passaram a concentrar as refeições em uma janela de até nove horas por dia, enquanto as demais mantiveram um padrão alimentar de cerca de 12 horas.
Na prática, o grupo que adotou a alimentação com tempo restrito comeu, em média, entre 10h e 18h, totalizando uma janela de 8,2 horas, ante 12,3 horas no grupo de controle.
Após seis meses, ambos os grupos perderam aproximadamente 7 quilos, em média. As participantes que restringiram o período de alimentação apresentaram melhora significativa em habilidades de planejamento espacial e resolução de problemas, além de uma tendência a cometer menos erros em testes de memória e aprendizado. Não foram observadas diferenças relevantes em tarefas de multitarefa ou no tempo de reação.
"Houve um efeito modesto do jejum com restrição de tempo na melhora do planejamento espacial e da resolução de problemas, além da redução de erros relacionados à memória e ao aprendizado", afirmou Shapses.
Segundo a pesquisadora, os resultados indicam uma possível melhora na capacidade de reter informações em atividades do cotidiano. Ela também observou que, quanto menor foi a janela de alimentação, maiores foram os ganhos cognitivos registrados.
Os pesquisadores destacam ainda que mulheres e pessoas com obesidade apresentam maior risco de desenvolver Alzheimer e outras formas de demência, enquanto ainda são limitadas as evidências sobre o impacto de mudanças no estilo de vida para reduzir esse risco.
Apesar dos resultados, os autores destacam que se trata de um estudo de pequeno porte e que pesquisas com um número maior de participantes serão necessárias para confirmar os achados. A próxima etapa será investigar os mecanismos que podem explicar o efeito observado, incluindo a influência do ritmo circadiano, das vias de percepção de nutrientes, da inflamação e da saúde metabólica.