Vira-lata caramelo: testes de DNA revelaram que cães com aparência semelhante podem ter origens genéticas completamente diferentes (Freepik)
Redatora
Publicado em 27 de julho de 2026 às 13h04.
Última atualização em 27 de julho de 2026 às 14h21.
O vira-lata caramelo, um dos maiores símbolos da cultura brasileira, não pertence a uma raça específica. Essa é a conclusão de uma análise genética realizada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), que investigaram o DNA de três cães caramelos de diferentes regiões do país.
Os resultados mostraram que cada animal possui uma combinação única de ancestrais, formada por dezenas de raças diferentes.
A análise foi exibida pelo Fantástico, da TV Globo, no último domingo, 26. Segundo os pesquisadores, a diversidade genética encontrada reforça que a aparência semelhante desses cães não significa uma origem comum.
Os pesquisadores analisaram amostras de DNA de Jenny, de São Paulo, Valente, do Rio de Janeiro, e Frevo, de Recife.
O material genético foi coletado com um cotonete na gengiva dos animais e comparado com milhares de marcadores capazes de identificar ancestrais e características de raça.
Embora todos apresentassem a tradicional pelagem caramelo, os resultados mostraram histórias genéticas bastante diferentes.
Antes dos exames, tutores e especialistas fizeram apostas sobre quais raças estariam presentes em cada cachorro. Valente, por exemplo, lembrava um pastor-alemão. Frevo era conhecido carinhosamente como "labradoido", por causa da semelhança com um labrador. Já Jenny também despertava associações com cães pastores.
Os testes, porém, revelaram uma mistura muito mais ampla. Valente apresentou traços de boxer, pastor americano miniatura, pastor branco suíço, galgo espanhol, presa canário, bulldog campeiro e chihuahua, enquanto cerca de 75% de seu DNA correspondia a dezenas de outras raças sem predominância.
Frevo reuniu influências de fila brasileiro, pastor da Mantiqueira, doberman, parson russell terrier, pumi, spino degli Iblei e beauceron, além de outras 62 raças, que representavam aproximadamente 74% de sua composição genética.
Jenny também apresentou uma mistura extensa, mas chamou atenção por possuir uma porcentagem significativa de Yorkshire terrier, indicando que um de seus avós provavelmente era um exemplar de raça pura.
Segundo a geneticista responsável pela análise, a pelagem caramelo não está ligada a uma raça específica. Ela explica que essa coloração pode surgir por diferentes mecanismos genéticos, o que ajuda a explicar sua alta frequência entre cães sem raça definida.
De acordo com os pesquisadores, cerca de 40% dos vira-latas apresentam essa tonalidade, tornando-a a pelagem mais comum nesse grupo.
Os especialistas afirmam que os exames mostram que não existe um único "modelo" de vira-lata caramelo.
Mesmo quando apresentam aparência semelhante, esses cães podem ter ancestrais completamente diferentes e desenvolver comportamentos distintos, influenciados tanto pela genética quanto pelo ambiente e pelas experiências de vida.
Para a médica-veterinária Rita Ericson, essa diversidade ajuda a explicar a identificação dos brasileiros com o vira-lata caramelo. Assim como acontece com a população do país, não existe um único perfil para esses cães, que podem variar em porte, cor, temperamento e origem genética.