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A nova dona da Hellmann's: o plano por trás da fusão de US$ 44,8 bilhões entre McCormick e Unilever

A divisão, prevista para ser concluída em 2027, criará a quinta maior empresa de alimentos do mundo. Presidente conta à EXAME sobre o futuro da companhia

Rodrigo Visentini, CEO da Unilever Alimentos no Brasil: “O Brasil é o terceiro maior mercado da Unilever (Priscila Valadares/Exame)

Rodrigo Visentini, CEO da Unilever Alimentos no Brasil: “O Brasil é o terceiro maior mercado da Unilever (Priscila Valadares/Exame)

Publicado em 27 de julho de 2026 às 14h13.

Última atualização em 27 de julho de 2026 às 14h34.

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A indústria global de alimentos está prestes a passar por uma de suas maiores transformações dos últimos anos. A americana McCormick anunciou a fusão com a divisão global de alimentos da Unilever em uma operação avaliada em US$ 44,8 bilhões, criando a quinta maior empresa do setor no mundo, que terá um faturamento estimado de US$ 20 bilhões este ano.

A nova companhia manterá o nome McCormick e reunirá marcas conhecidas dos consumidores, como Hellmann's, Knorr, Maille, Calvé e Maizena, além do portfólio global da fabricante americana de temperos e condimentos.

Em entrevista ao programa De Frente com CEO, da EXAME, Rodrigo Visentini, presidente da Unilever Alimentos no Brasil, fala sobre sua trajetória profissional, mas também sobre o futuro do segmento de alimentos da multinacional.

"A divisão é uma decisão estratégica. A Unilever Alimentos busca direcionar seus investimentos para negócios onde pode acelerar inovação, fortalecer suas marcas e gerar mais valor para consumidores e acionistas", afirma o CEO.

A expectativa é que a transação seja concluída no primeiro semestre de 2027, após aprovação dos órgãos reguladores e dos acionistas.

"Estamos construindo uma empresa mais focada e preparada para crescer no longo prazo”, diz Visentini, que entrou como estagiário na Unilever e já soma mais de 20 anos no grupo.

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Para onde vai a estrutura da Unilever Alimentos Brasil

Há expectativas de que a estrutura da operação brasileira seja mantida, uma vez que o Brasil está entre os 5 mercados mais relevantes para a Unilever Alimentos.

"A estrutura no Brasil permanece. Continuaremos operando normalmente, atendendo consumidores e clientes, enquanto o processo global de integração acontece”, afirma Visentini.

No último no a Unilever registrou faturamento global de US$ 50,5 bilhões, sendo a área de alimentos correspondente a 26% do negócio, segundo Visentini.

O Brasil é também referência quando se olha para todas as categorias. Segundo o executivo, é o terceiro maior mercado da Unilever, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e Índia.

“O Brasil é uma operação importantíssima para o mundo e é um motor enorme de crescimento”, diz. "Só alimentos dobrou de tamanho nos últimos quatro anos”, diz o CEO.

A inovação vai ser uma das estratégias para manter os produtos da Unilever relevantes sob a nova gestão da McCormick. Por isso, além de novos produtos, a companhia também pretende ampliar sua atuação junto ao setor de alimentação fora do lar, que engloba restaurantes, hotéis, padarias e cozinhas profissionais.

"O Brasil é um mercado extremamente relevante. Continuamos investindo em inovação, desenvolvimento de produtos e fortalecimento das nossas marcas para atender às novas demandas dos consumidores", diz.

Unilever se despede da área de alimentos desde o ano passado

A criação da nova companhia de alimentos é mais um capítulo da reestruturação global da Unilever. Em setembro, do último ano, a multinacional já havia separado seu negócio de sorvetes, que passou a operar como uma empresa independente, conhecida como Magnum Ice Cream Company. A nova companhia é dona das marcas como Kibon, Magnum, Ben & Jerry's, Cornetto e Wall's.

Listada nas bolsas de Nova York, Londres e Amsterdã, a Magnum já nasceu como a maior do mundo no setor, ostentando um faturamento global de € 7,9 bilhões e 30 fábricas.

Ainda hoje é possível ver freezers com sorvetes nos escritórios da Unilever, em São Paulo, uma vez que a multinacional ainda tem ações na Magnum, mas desde setembro as companhias seguem com CNPJ diferentes e CEP diferentes.

Sem os sorvetes no portfólio e com a venda do segmento de alimentos para a McCormick, a Unilever passará por uma mudança importante em sua estratégia de negócios. A multinacional irá concentrar seus investimentos em beleza, cuidados pessoais, higiene e limpeza, áreas consideradas prioritárias para o crescimento global, com marcas como Dove, Rexona, Lux, Seda, TRESemmé, OMO, Comfort e Cif.

Veja também: Adeus, Unilever: o plano do RH que ajudou a reestruturar Kibon e Magnum rumo ao voo solo de € 7,9 bi

Hellmann's continuará no centro da estratégia, mas vem aí o ketchup zero

Uma das principais marcas da operação, a Hellmann's continuará sendo uma das prioridades da nova companhia.

Nos últimos anos, a marca reforçou sua estratégia de marketing por meio de parcerias com a NBA, Copa do Mundo, Rock in Rio, festivais como Lollapalooza e The Town e agora, segundo o CEO, com o Circuito Sertanejo, aproximando a marca de consumidores mais jovens e ampliando sua presença em momentos de consumo.

"O consumidor muda rapidamente e o nosso papel é acompanhar essas transformações com produtos relevantes e soluções que façam sentido para diferentes ocasiões de consumo", afirma Visentini.

Inovar para a Unilever Alimentos é ir para além da maionese (o carro-chefe do setor) e para isso apostou no lançamento de linhas como Hellmann's Supreme, molho para hambúrguer, e partir deste ano terá também o ketchup zero, que passou a ser fabricado neste mês no Brasil.

Veja também: Ozempic, mês do consumidor e escala 6x1: os planos da Pague Menos para crescer em 2026

A mudança de hábito do consumidor

O ketchup zero aparece como uma proposta para atender as transformações do mercado de alimentos. Entre os principais desafios estão a inflação, que continua pressionando o poder de compra do consumidor brasileiro, a expansão das marcas próprias dos supermercados e a popularização das canetas emagrecedoras, que vêm alterando hábitos de consumo.

Para Visentini, porém, entre esses desafios, o maior impacto no longo prazo virá justamente da mudança no comportamento alimentar.

"As canetas vão continuar e acho que, para o futuro, é o que mais vai impactar o consumo", afirma.

Ainda assim, o executivo avalia que a busca por sabor continuará sendo um diferencial competitivo.

"As pessoas mudam as porções, mas quando comem querem comer com prazer. O sabor nunca vai deixar de existir."

Veja também: De canetas emagrecedoras à marca própria para carnes: o investimento do Assaí no novo consumidor

A Unilever pelo mundo

A Unilever foi fundada em 1929 e hoje está presente em cerca de 190 países, emprega aproximadamente 96 mil pessoas e opera mais de 280 fábricas ao redor do mundo.

O grupo é comandado globalmente pelo argentino Fernando Fernandez, executivo que conhece bem o mercado brasileiro. Antes de assumir a presidência mundial da empresa, ele liderou a operação da Unilever no Brasil entre 2010 e 2019.

No Brasil, a Unilever está presente desde 1929 e mantém sua sede administrativa na cidade de São Paulo. A multinacional tem oito unidades industriais no Brasil, e entre as principais fábricas estão as unidades de Pouso Alegre, em Minas Gerais, responsável por boa parte da produção de alimentos; Garanhuns, em Pernambuco, onde são fabricados produtos como Maizena e Cremogema; além de operações em cidades como Indaiatuba, Aguaí e Vinhedo, no interior de São Paulo.

O tamanho da McCormick - que pode chegar ao Brasil 

Se a Unilever encerra um capítulo, a McCormick inaugura outro. Fundada em 1889, nos Estados Unidos, a empresa é líder global em temperos, condimentos e ingredientes alimentícios, com presença em mais de 170 países. Em 2025, faturou US$ 6,84 bilhões e manteve uma trajetória de crescimento sustentada por inovação, expansão internacional e fortalecimento de suas marcas.

Com a incorporação da divisão global de alimentos da Unilever, a companhia praticamente triplica de tamanho. A nova McCormick terá receita estimada em cerca de US$ 20 bilhões por ano, reunindo um portfólio que vai de Hellmann's e Knorr a Maille, Maizena, French's e Frank's RedHot.

O Brasil pode ganhar protagonismo

Embora a prioridade da nova companhia seja integrar duas operações globais de grande porte, a dúvida que fica é se o Brasil irá permanecer no centro dessa estratégia. Os números atuais da Unilever mostra que o país tem condições para isso. Com um mercado consumidor de mais de 200 milhões de pessoas e uma cadeia agroalimentar entre as maiores do mundo, o Brasil reúne condições para receber novas linhas de produção e pode até se tornar uma base estratégica da McCormick para a América Latina.

"Temos uma operação muito sólida no Brasil, com marcas líderes e um time preparado para continuar crescendo", diz Visentini.

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