Lagartixa-leopardo: variedade 'lemon frost' chamou a atenção de cientistas por sua alta incidência de tumores (Dr. Tony Gamble, Universidade Marquette)
Redatora
Publicado em 26 de julho de 2026 às 16h11.
Uma variedade de lagartixa-leopardo criada como animal de estimação pode ajudar cientistas a compreender melhor como o câncer se desenvolve e se espalha pelo organismo.
Pesquisadores descobriram que essa linhagem de animais, conhecida como "lemon frost", desenvolve tumores agressivos de forma natural e apresenta alterações genéticas semelhantes às observadas em diferentes tipos de câncer humano.
A descoberta foi liderada por pesquisadores da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, e publicada na revista BMC Biology no dia 15 de julho. Segundo a equipe, o animal pode se tornar um importante modelo para investigar a origem, a progressão e a disseminação de tumores, oferecendo uma alternativa complementar aos modelos experimentais tradicionais.
Entre os répteis, a incidência de câncer varia bastante. Enquanto tartarugas e cágados raramente desenvolvem a doença, cerca de 80% das lagartixas-leopardo da variedade "lemon frost" apresentam tumores agressivos, que frequentemente se espalham para outras partes do corpo.
Essa linhagem surgiu a partir de uma mutação genética espontânea identificada durante programas de reprodução seletiva. A coloração branca e amarela rapidamente tornou esses animais populares entre criadores, mas logo ficou evidente que muitos desenvolviam câncer ainda jovens.
Segundo a pesquisadora Ylenia Chiari, que liderou o estudo, compreender por que algumas espécies são altamente suscetíveis ao câncer enquanto outras parecem naturalmente resistentes pode revelar estratégias biológicas úteis para prevenir, detectar e tratar a doença em humanos.
Para entender o que ocorre nesses animais, os pesquisadores realizaram o sequenciamento completo do genoma e compararam amostras dos tumores com tecidos saudáveis das mesmas lagartixas.
A análise identificou alterações recorrentes em genes e processos biológicos que também aparecem em diversos tipos de câncer humano e em tumores de outras espécies.
Segundo os autores, essas semelhanças indicam que a lagartixa "lemon frost" pode fornecer informações relevantes sobre mecanismos fundamentais da doença, ampliando o conhecimento sobre como os tumores surgem e evoluem.
Foto: Reprodução/BMC Biology (BMC Biology/Reprodução)
Diferentemente dos camundongos utilizados em muitos estudos, que geralmente precisam ter tumores induzidos artificialmente, as lagartixas desenvolvem câncer de forma espontânea e em idade relativamente precoce.
Como esses tumores frequentemente apresentam metástase, os cientistas podem acompanhar todas as etapas da doença em condições naturais, desde seu aparecimento até a disseminação para outros tecidos.
Os pesquisadores afirmam que esse modelo pode complementar os sistemas experimentais já utilizados e ampliar as possibilidades para o desenvolvimento de novas abordagens de pesquisa.
Os pesquisadores destacam que investigar uma maior diversidade de espécies pode ampliar a compreensão sobre doenças complexas, como o câncer.
Segundo a equipe, ferramentas desenvolvidas para analisar tumores humanos também podem ser adaptadas para estudar outros animais, abrindo novas possibilidades para a pesquisa biomédica.
Diante disso, os autores afirmam ainda que tanto espécies altamente suscetíveis ao câncer quanto aquelas naturalmente resistentes podem revelar mecanismos importantes da doença. Nesse contexto, a preservação da biodiversidade também representa uma oportunidade para futuras descobertas científicas e o desenvolvimento de novas estratégias para prevenir e tratar o câncer.