Terra: modelo de geoide permite estudar a gravidade, o ciclo da água e as mudanças no nível do mar (Nasa/Reprodução)
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Publicado em 27 de julho de 2026 às 12h11.
A Nasa divulgou uma nova representação tridimensional da Terra que mostra como a gravidade varia ao redor do planeta. Diferentemente da imagem esférica normalmente associada ao globo terrestre, o modelo retrata o geoide, uma superfície que representa o campo gravitacional da Terra e revela diferenças provocadas pela distribuição de massa em seu interior.
A visualização foi construída a partir de mais de 1 bilhão de observações coletadas ao longo de 15 anos por 19 satélites. Segundo a agência espacial, o modelo ajuda cientistas a estudar fenômenos como a circulação da água, as mudanças no nível do mar e a estrutura interna do planeta.
O geoide é uma superfície teórica que representa o nível médio dos oceanos caso a água permanecesse completamente parada, sem a influência de marés, ventos ou correntes marítimas.
Diferentemente de um mapa convencional da Terra, ele leva em consideração a distribuição de massa no interior do planeta, incluindo rochas, magma e água subterrânea, que alteram a intensidade do campo gravitacional.
Por isso, o geoide apresenta pequenas elevações e depressões invisíveis na superfície real do planeta.
A imagem divulgada pela Nasa não mostra a aparência física da Terra. Para tornar perceptíveis diferenças muito pequenas na gravidade, a representação amplia as variações verticais entre 7 mil e 10 mil vezes.
Segundo informações da La Nación, Michael Watkins, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa, destaca que as regiões com maior concentração de massa, como a Cordilheira dos Andes e o Himalaia, exercem uma atração gravitacional mais intensa e aparecem em tons avermelhados.
Já áreas com menor densidade, como partes do oceano Índico e da bacia do rio Congo, são representadas em azul.
Geoide: representação da Terra auxilia estudos sobre gravidade, ciclo da água e nível do mar. Foto Reprodução/Nasa (Nasa/Reprodução)
A representação foi construída a partir de mais de 1 bilhão de medições coletadas durante 15 anos por 19 satélites. Entre as principais fontes de dados está a missão GRACE, formada por duas espaçonaves que voavam separadas por cerca de 220 quilômetros.
Elas mediam pequenas variações na distância entre si provocadas por mudanças no campo gravitacional da Terra, permitindo identificar deslocamentos de massa causados por oceanos, chuvas, geleiras e águas subterrâneas.
Segundo Watkins, como a quantidade de água na superfície muda constantemente, o campo gravitacional terrestre também sofre pequenas alterações de um mês para outro.
Além de representar com maior precisão o campo gravitacional da Terra, o geoide auxilia pesquisadores a monitorar fenômenos relacionados ao ciclo da água.
Segundo a agência espacial, o modelo permite acompanhar mudanças nas reservas de água subterrânea, estudar o comportamento de geleiras, monitorar a elevação do nível do mar e melhorar a compreensão do ciclo hidrológico.
O mapa também mostrou que a altura do geoide varia entre aproximadamente 85 metros acima do nível médio, na Islândia, e 106 metros abaixo, no sul da Índia, refletindo diferenças na distribuição de massa sob a superfície terrestre.