Telescópio Swift: observatório da Nasa voltou a realizar observações científicas após meses com parte dos instrumentos desligada (Imagem gerada por IA/EXAME)
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Publicado em 1 de setembro de 2026 às 11h56.
Última atualização em 1 de setembro de 2026 às 11h57.
O telescópio espacial Swift, da Nasa, voltou a realizar observações científicas depois que dois de seus instrumentos foram reativados. A retomada ocorreu após uma tentativa de elevar a órbita do observatório ser abandonada por problemas técnicos.
O Telescópio Ultravioleta/Óptico e o Telescópio de Raios X voltaram a funcionar na última quarta-feira, 26. O terceiro instrumento, o Telescópio de Alerta de Explosões (BAT), permanece desligado, mas a equipe espera retomar suas operações nas próximas semanas.
O observatório está em órbita há 21 anos e continua perdendo altitude por causa do arrasto atmosférico. Segundo a Nasa, o Swift pode alcançar uma altitude inferior a 300 quilômetros dentro de um a dois meses.
O Swift está em órbita baixa da Terra, onde ainda existem pequenas quantidades de atmosfera. Esse material exerce resistência sobre a espaçonave e reduz sua velocidade gradualmente.
Com a perda de velocidade, a órbita do observatório diminui. O Swift não possui um sistema de propulsão capaz de elevar sua trajetória e compensar diretamente esse efeito.
A situação se tornou mais urgente com o aumento da atividade solar. A energia liberada pelo Sol aquece e expande as camadas superiores da atmosfera terrestre.
Com a atmosfera mais extensa, o arrasto sobre espaçonaves em órbita baixa aumenta. No caso do Swift, isso fez com que a perda de altitude ocorresse mais rapidamente do que o previsto.
Em setembro de 2025, a Nasa contratou a Katalyst Space para desenvolver uma missão capaz de alcançar o Swift, capturá-lo e elevá-lo para uma órbita mais alta. A empresa desenvolveu a espaçonave LINK, lançada em julho a bordo de um foguete Pegasus, da Northrop Grumman.
Depois do lançamento, porém, a LINK apresentou problemas relacionados ao controle de orientação. Em 19 de agosto, Nasa e Katalyst anunciaram que a espaçonave não tentaria mais capturar e elevar o Swift.
A missão ainda poderá realizar aproximações ao observatório. Essas manobras servirão para testar tecnologias que podem ser usadas futuramente em operações de manutenção e serviços em órbita.
O Swift desligou o Telescópio Ultravioleta/Óptico e o Telescópio de Raios X em fevereiro, como parte de medidas para reduzir o arrasto e prolongar sua permanência em órbita. Os dois instrumentos foram reativados em 26 de agosto e voltaram a coletar dados científicos.
Já o Telescópio de Alerta de Explosões (BAT) foi desligado em abril. A medida reduziu o consumo de energia e permitiu que os engenheiros posicionassem os painéis solares de forma a diminuir ainda mais o arrasto.
De acordo com comunicado, a Nasa espera que o BAT volte a realizar observações nas próximas semanas.
Durante mais de duas décadas, o Swift estudou o Universo em diferentes comprimentos de onda e se tornou especialmente útil para acompanhar eventos cósmicos rápidos. Quando detecta uma explosão ou outro fenômeno transitório, o observatório consegue mudar rapidamente sua orientação para observar a fonte.
Essa capacidade permite que o Swift obtenha dados de eventos que podem desaparecer em pouco tempo e também envie alertas para outros observatórios. Agora, com a órbita em queda, a equipe pretende aproveitar o período restante de operação para continuar coletando dados científicos.