Nasa: observatório Swift pode ser salvo após falha em espaçonave de resgate desenvolvida pela Katalyst Space Technologies. (Imagem gerada por IA/EXAME)
Repórter
Publicado em 20 de agosto de 2026 às 08h43.
A Nasa cancelou nesta quarta-feira o plano para salvar o telescópio espacial Swift, colocado em órbita há 22 anos e que deve reentrar na atmosfera terrestre de forma descontrolada até o fim deste ano.
A decisão ocorre pouco mais de um mês após o lançamento da espaçonave Link, criada justamente para elevar a órbita do observatório.
Segundo a agência espacial americana, um problema persistente no sistema de controle de altitude da Link impediu que a espaçonave capturasse o Swift e o levasse para uma órbita mais alta. O objetivo era prolongar a missão científica do telescópio e evitar sua queda.
“Devido a um problema persistente com o controle de altitude de uma espaçonave comercial (...) a nave Link não capturará nem impulsionará um satélite da agência a uma altitude maior”, afirmou a Nasa em comunicado.
A Link foi desenvolvida pela startup Katalyst Space Technologies e lançada em 3 de julho. A missão já era considerada complexa porque o Swift não possui alças ou pontos de fixação que facilitassem sua captura.
Em uma etapa anterior da operação, a Link perdeu comunicação com o centro de controle por cerca de um dia e, quando o contato foi restabelecido, estava girando de forma descontrolada. Duas das três rodas de reação da espaçonave haviam deixado de funcionar, enquanto os propulsores a gás operavam de maneira irregular.
Apesar da falha, a equipe ainda tentava estabilizar a Link e prosseguir com o resgate. O motor elétrico da espaçonave e os braços robóticos destinados à captura do Swift continuavam funcionando, segundo a Katalyst.
Com o cancelamento, porém, o telescópio continuará perdendo altitude até atingir as camadas mais densas da atmosfera, onde deverá se desintegrar durante a reentrada.
Lançado em 2004, o Observatório Neil Gehrels Swift foi projetado para estudar explosões de raios gama, alguns dos fenômenos mais energéticos do universo.
O telescópio já ultrapassou sua vida útil prevista, mas continuava produzindo dados científicos. O problema é que ele não possui motor próprio para corrigir sua órbita.
Embora a atmosfera seja extremamente rarefeita na altitude em que o Swift opera, o pouco ar existente produz resistência e reduz gradualmente sua velocidade. Como consequência, o telescópio perde altitude ao longo do tempo.
O fenômeno foi agravado recentemente pelo aumento da atividade solar, que aquece as camadas superiores da atmosfera e eleva sua densidade. Com mais resistência, satélites em órbita baixa perdem altitude mais rapidamente.
A Nasa havia contratado a Katalyst para desenvolver a missão de resgate em cerca de nove meses, em uma operação estimada em US$ 30 milhões. O plano era alcançar o Swift, capturá-lo com os braços robóticos e usar a propulsão da Link para colocá-lo em uma órbita mais alta.
Antes do cancelamento, o Swift estava a pouco mais de 320 quilômetros da superfície e perdia cerca de 2,4 quilômetros de altitude por semana. Quanto mais baixa sua órbita, mais difícil seria realizar a captura.
A Link, no entanto, continuará operando nas proximidades do telescópio. Segundo a Nasa, a espaçonave será usada para demonstrar tecnologias que podem ser aplicadas em futuras operações de manutenção de satélites e para coletar dados sobre a missão.
Com valor estimado em cerca de US$ 500 milhões, o Swift se tornou uma das principais ferramentas da Nasa para observar surtos de raios gama desde 2004. Seu fim também evidencia uma dificuldade crescente para missões espaciais antigas: manter satélites em órbita quando eles não têm capacidade própria de corrigir sua trajetória.
Outro observatório da Nasa enfrenta um problema semelhante. O Hubble, que está em órbita há mais de 30 anos e também não possui motor próprio, perde altitude gradualmente e depende de futuras operações para evitar uma reentrada descontrolada.
*Com EFE