Ciência

Nave que resgataria telescópio da Nasa gira fora de controle no espaço

Startup contratada pela Nasa tenta estabilizar espaçonave após pane durante missão para salvar observatório lançado em 2004

Nasa: observatório Swift pode ser salvo após falha em espaçonave de resgate desenvolvida pela Katalyst Space Technologies. (Imagem gerada por IA/EXAME)

Nasa: observatório Swift pode ser salvo após falha em espaçonave de resgate desenvolvida pela Katalyst Space Technologies. (Imagem gerada por IA/EXAME)

Publicado em 31 de julho de 2026 às 18h51.

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A missão criada para salvar um dos telescópios espaciais mais importantes da Nasa sofreu um revés que ameaça colocar toda a operação em risco.

A espaçonave Link, desenvolvida pela startup Katalyst Space Technologies para elevar a órbita do observatório Swift, começou a girar descontroladamente quando já estava a poucos quilômetros de seu alvo.

Segundo o The New York Times, o incidente ocorreu no último sábado e interrompeu o cronograma da missão. Apesar da falha, engenheiros afirmam que ainda acreditam ser possível estabilizar a espaçonave e concluir o resgate nas próximas semanas.

"Foi uma situação muito séria", afirmou ao jornal Ghonhee Lee, CEO da Katalyst Space Technologies. De acordo com ele, a Link chegou a completar uma rotação a cada 40 segundos, mas os sistemas de propulsão elétrica continuam funcionando e poderão ser usados para reduzir o giro.

Missão tenta evitar perda de telescópio

Lançado em 2004, o Observatório Neil Gehrels Swift observa explosões de raios gama, alguns dos eventos mais energéticos do universo. Embora tenha superado sua vida útil prevista, sua órbita vem diminuindo por causa do aumento do arrasto atmosférico.

De acordo com o NYT, o pico recente da atividade solar aqueceu as camadas superiores da atmosfera terrestre, aumentando sua densidade e acelerando a perda de altitude de satélites em órbita baixa.

Diante desse cenário, a Nasa contratou a Katalyst para desenvolver, em apenas nove meses, uma missão de cerca de US$ 30 milhões capaz de elevar a órbita do Swift.

Falha ocorreu após perda de comunicação

A missão transcorria normalmente desde o lançamento da Link, em 3 de julho, até que o centro de operações perdeu contato com a espaçonave por cerca de um dia. Quando a comunicação foi restabelecida, engenheiros descobriram que ela girava de forma descontrolada.

Além disso, duas das três rodas de reação — responsáveis pela orientação da nave — deixaram de funcionar, enquanto os propulsores a gás passaram a operar de forma irregular. A causa ainda está sendo investigada, mas pode estar ligada a uma reinicialização inesperada do sistema elétrico.

Apesar do problema, a empresa afirma que os sistemas mais importantes continuam funcionando. O motor elétrico, que utiliza íons de xenônio para gerar propulsão, permanece operacional e está sendo usado para reduzir a rotação da espaçonave. Os braços robóticos que deverão capturar o telescópio também não apresentaram danos.

Segundo a Katalyst, o encontro com o Swift deve ser adiado para o fim de agosto, mas ainda há tempo para concluir a missão antes que o telescópio perca altitude suficiente para inviabilizar o resgate.

Nasa diz que missão continua

A Nasa reconheceu que a operação sempre envolveu riscos elevados por causa do curto prazo de desenvolvimento. Em nota ao New York Times, Shawn Domagal-Goldman, diretor da divisão de astrofísica da agência, afirmou que ainda existem caminhos para concluir a missão e que a equipe trabalha com a Katalyst para revisar a estratégia.

Atualmente, o Swift orbita pouco mais de 320 quilômetros acima da Terra e perde cerca de 2,4 quilômetros de altitude por semana. Se a órbita cair para aproximadamente 300 quilômetros, o resgate se tornará muito mais difícil.

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