Seda do mar: tecido raro da Antiguidade era conhecido pelo brilho dourado e pela durabilidade (POSTECH/Reprodução)
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Publicado em 15 de junho de 2026 às 09h34.
Um dos tecidos mais raros e misteriosos da Antiguidade voltou a chamar a atenção da ciência. Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Pohang (POSTECH), na Coreia do Sul, conseguiram recriar a lendária seda do mar, uma fibra dourada que já foi considerada um dos materiais de luxo mais valiosos do mundo.
Além de reproduzir o tecido, a equipe descobriu o mecanismo responsável por seu brilho característico e pela capacidade de manter a cor por séculos sem desbotar. Os resultados foram publicados na revista Advanced Materials.
Conhecida como "fibra dourada do mar", a seda do mar era produzida a partir do bisso, conjunto de filamentos usados por determinados moluscos para se fixarem em superfícies rochosas.
Historicamente, o material era obtido da espécie Pinna nobilis, um grande molusco do Mediterrâneo. Sua combinação de brilho dourado, leveza e resistência transformou a fibra em um dos tecidos mais exclusivos do mundo antigo.
Ao longo dos séculos, a seda do mar ganhou fama quase lendária. Um dos exemplos mais conhecidos é o Santo Rosto de Manoppello, relíquia religiosa preservada na Itália e frequentemente associada a esse material.
A produção tradicional praticamente desapareceu após o declínio populacional da Pinna nobilis, hoje considerada uma espécie ameaçada. A coleta do animal foi proibida pela União Europeia, tornando a seda do mar autêntica extremamente rara.
Para contornar o problema, os pesquisadores buscaram uma alternativa em outro molusco: a Atrina pectinata, espécie cultivada comercialmente nas águas costeiras da Coreia do Sul.
A equipe descobriu que os filamentos produzidos por esse animal apresentam características físicas e químicas muito semelhantes às da espécie mediterrânea. A partir deles, os cientistas desenvolveram um processo capaz de recriar a aparência da antiga seda do mar.Lavar roupa nova antes de usar? Vídeo no TikTok levanta dúvida
Além de reproduzir a fibra, os pesquisadores identificaram o mecanismo responsável por sua coloração característica.
Diferentemente da maioria dos tecidos, a seda do mar não depende de pigmentos ou corantes para adquirir sua tonalidade dourada. A cor é produzida por um fenômeno conhecido como coloração estrutural.
Nesse processo, estruturas microscópicas presentes na fibra interagem com a luz e geram reflexos brilhantes. Os cientistas identificaram pequenas estruturas proteicas organizadas em camadas, chamadas de fotoninas, como responsáveis pelo efeito.
O princípio é semelhante ao observado em bolhas de sabão, asas de borboletas e penas de algumas aves, cujas cores surgem da forma como a luz é refletida e não da presença de pigmentos.
Segundo os pesquisadores, a organização dessas proteínas dentro da fibra explica a extraordinária durabilidade da cor. Como o tom dourado faz parte da própria estrutura do material, e não de um revestimento externo, ele pode permanecer preservado por períodos muito longos sem sofrer desbotamento significativo.
Essa característica ajuda a explicar por que peças históricas associadas à seda do mar conseguiram manter sua aparência mesmo após séculos.