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'Quiet luxury' perdeu espaço? A elite agora quer ostentar 'sem vergonha'

Tendência chamada de “loud luxury” cresce nas redes sociais e muda a forma como riqueza é exibida

'Loud luxury': Moda maximalista, logos gigantes e festas extravagantes mostram uma mudança cultural no comportamento da elite (MARCO BERTORELLO/AFP/Getty Images)

'Loud luxury': Moda maximalista, logos gigantes e festas extravagantes mostram uma mudança cultural no comportamento da elite (MARCO BERTORELLO/AFP/Getty Images)

Publicado em 25 de maio de 2026 às 06h05.

Durante os últimos anos, o conceito de “quiet luxury” dominou a moda e o comportamento das elites. A proposta era transmitir riqueza de forma discreta, com roupas minimalistas, tons neutros e peças sem logos aparentes.

O estilo ganhou força principalmente após séries como “Succession” e virou símbolo da estética “old money”, baseada na ideia de que quem realmente tem dinheiro não precisa provar nada para ninguém.

Milionários querem ser milionários em 'voz alta'

Agora, esse movimento começa a perder espaço. Segundo uma análise publicada pelo Business Insider, milionários, celebridades e até marcas de luxo voltaram a apostar em uma estética mais exagerada, marcada por brilho, dourado, logos chamativos e ostentação explícita. O fenômeno ganhou o nome de “loud luxury”, uma espécie de retorno do luxo barulhento que dominou outras décadas, especialmente os anos 1980.

A análise cita exemplos recentes que ilustram essa mudança, como o casamento extravagante de Jeff Bezos e Lauren Sánchez, além do estilo visual associado a Donald Trump, conhecido pelo uso excessivo de dourado, decoração chamativa e símbolos de riqueza. Diferente do “quiet luxury”, que valorizava discrição e sofisticação silenciosa, o novo momento aposta justamente na visibilidade. A intenção é que o dinheiro seja percebido imediatamente.

Ana Andjelic, consultora de marcas e autora ouvida pelo veículo, afirma que as redes sociais ajudaram diretamente nessa transformação. Plataformas como TikTok e Instagram favorecem conteúdos mais impactantes visualmente, o que acaba incentivando estilos maximalistas e ambientes extravagantes.

Geração Z não se atrai pelo 'quiet luxury'

A mudança também parece refletir diferenças geracionais. Segundo o BI, parte da geração Z demonstra menos interesse pela estética sóbria do “old money” e mais atração por elementos visuais exagerados, coloridos e quase caricatos. O maximalismo voltou a ganhar espaço não apenas na moda, mas também na decoração, nos acessórios e até na arquitetura de casas de luxo.

Marcas tradicionais perceberam rapidamente esse movimento. Segundo Yanmei Tang, analista da Third Bridge, em entrevista à CNBC, muitas empresas começaram a abandonar coleções excessivamente minimalistas e voltaram a investir em peças mais chamativas, com estampas, logos aparentes e design teatral.

O “quiet luxury” acabou criando um problema para o mercado: produtos caros e sofisticados começaram a parecer visualmente iguais, reduzindo a sensação de exclusividade que o luxo costuma vender, de acordo com o BI.

A moda é cíclica, como sempre foi

Mesmo assim, especialistas acreditam que o “quiet luxury” não desapareceu completamente, mas entrou em mais um ciclo histórico entre discrição e excesso.

O mesmo aconteceu em décadas anteriores, quando períodos de ostentação foram seguidos por fases minimalistas. A diferença agora é que as redes sociais aceleram essas mudanças culturais em uma velocidade muito maior.

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