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ChatGPT: o novo colega de trabalho que nunca toma café, mas resolve metade da lista de tarefas (NurPhoto / Colaborador/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 28 de julho de 2026 às 13h59.
Quase metade dos pedidos que trabalhadores americanos fazem ao ChatGPT sobre tarefas ligadas a uma profissão específica diz respeito ao trabalho de outra ocupação. A proporção é de 43,5% e está em um relatório da OpenAI divulgado na segunda-feira, 27.
O estudo Work at the Frontier, assinado pelos pesquisadores Caroline Chin e Alex Martin Richmond, analisou uma amostra aleatória de mais de 800.000 mensagens de trabalho de usuários dos Estados Unidos.
Cada mensagem foi classificada em uma atividade do O*NET, banco de dados de ocupações do Departamento do Trabalho americano, e comparada com a função declarada pelo usuário.
"As fronteiras entre os empregos provavelmente já estão ficando mais flexíveis", afirmou Ronnie Chatterji, economista-chefe da OpenAI, ao Axios, que teve acesso antecipado ao material.
Escrever e-mails, resumir textos e marcar reuniões responderam por 61,5% das mensagens. Excluído esse trabalho genérico, restam 38,5% da amostra — e é nesse recorte que aparecem os 43,5%. Sobre o total, o cruzamento fica em 16,8%.
Em cinco dos oito grupos analisados, a maior parte das mensagens específicas de profissão trata de tarefas de outra área, num redesenho das funções que corre desigual entre elas:
Designers importam muito e exportam pouco: 35,2% de suas mensagens tratam de trabalho alheio, enquanto tarefas de design respondem por apenas 1,7% das mensagens dos demais grupos.
A engenharia faz o caminho inverso — 18,5% de importação e 7,4% de saída.
O marketing se destaca nas duas pontas, com 24,3% de tarefas de fora e 8,9% de presença nas mensagens dos outros grupos, a maior taxa de saída da amostra.
Calcular dados financeiros e resolver problemas em sistemas estão entre as três tarefas mais pedidas em todas as sete demais ocupações.
Entre usuários de volume mediano, o percentual de mensagens fora da própria ocupação cai de 18,9% em espaços de trabalho com dois a cinco assentos para 16,3% naqueles com mais de 100 assentos.
Entre os usuários mais intensos, o padrão não se repete.
O relatório foi produzido pela própria OpenAI a partir do uso de seu produto, que fechou o primeiro trimestre com 905 milhões de usuários ativos semanais. A unidade de análise é a mensagem, não a hora trabalhada: o estudo não mede se o resultado foi usado, qual sua qualidade nem se um especialista revisou o material.