Ernst Haeckel: ilustrações do século XIX ajudaram a transformar a observação da natureza (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
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Publicado em 28 de julho de 2026 às 09h30.
O naturalista alemão Ernst Haeckel é lembrado por suas ilustrações detalhadas de águas-vivas, radiolários, lesmas-do-mar, corais e outras formas de vida que ajudaram a popularizar a biologia no século XIX. Agora, o livro "The Art and Science of Ernst Haeckel", de Julia Voss e Rainer Willmann, reúne cerca de 450 desenhos, aquarelas e esboços produzidos pelo cientista, revisitando tanto sua contribuição para a ciência quanto os aspectos mais controversos de seu legado.
A obra foi resenhada pela revista Nature, que destaca a influência das ilustrações de Haeckel sobre artistas, arquitetos e pesquisadores, ao mesmo tempo em que discute suas ideias racistas e eugenistas, hoje amplamente rejeitadas pela comunidade científica.
Nascido em 1834, no então Reino da Prússia, Ernst Haeckel foi biólogo, médico, filósofo, artista e um dos principais divulgadores da teoria da evolução de Charles Darwin na Europa.
Embora tenha iniciado a carreira na medicina, abandonou rapidamente a profissão para se dedicar à biologia marinha. Ao longo da vida, descreveu milhares de espécies e publicou atlas ilustrados sobre organismos como radiolários, esponjas, corais e águas-vivas.
Além do rigor científico, Haeckel chamou atenção pela qualidade artística de seus desenhos. As formas geométricas de organismos microscópicos, os delicados tentáculos das medusas e as estruturas complexas dos sifonóforos transformaram espécies pouco conhecidas em imagens que ajudaram a divulgar a biodiversidade para além dos círculos científicos.
Depois de deixar a medicina, Haeckel publicou, em 1862, uma monografia ilustrada sobre os radiolários, seguida por atlas e estudos dedicados a diferentes grupos de organismos marinhos.
Ao longo da carreira, ele identificou milhares de espécies. Duas delas receberam nomes em homenagem à sua primeira esposa, Anna Sethe, que morreu de apendicite apenas 18 meses após o casamento.
Durante uma viagem à França, Haeckel encontrou uma das águas-vivas e associou seus delicados tentáculos aos cabelos loiros da esposa, batizando a espécie em sua homenagem.
Além disso, o impacto da obra de Haeckel ultrapassou a biologia. De acordo com a Nature, seus desenhos inspiraram diferentes projetos arquitetônicos, entre eles uma luminária instalada no Instituto Oceanográfico de Mônaco e um lustre criado pelo arquiteto holandês Hendrik Petrus Berlage para a Bolsa de Valores de Amsterdã.
As representações detalhadas de águas-vivas e outros organismos também influenciaram o movimento Art Nouveau, conhecido por incorporar formas da natureza em projetos de arquitetura, design e artes decorativas.
Além das contribuições científicas, o livro também aborda as ideias defendidas por Haeckel que hoje são consideradas profundamente problemáticas.
A resenha lembra que o naturalista defendia uma visão hierárquica da evolução humana e classificava diferentes grupos étnicos de acordo com um suposto "valor" biológico. Ele também apoiava ideias eugenistas e chegou a defender práticas como o infanticídio de recém-nascidos considerados fracos ou com deficiência.
Segundo a resenha apresentada pela Nature, essas ideias foram posteriormente admiradas pelo regime nazista e representam uma parte da obra de Haeckel amplamente rejeitada pela ciência contemporânea.