Ciência

Asteroides destruíram dinossauros, mas podem ter ajudado a criar a vida na Terra

Estudo encontrou estruturas microbianas em cratera na Coreia do Sul e sugere que impactos espaciais criaram ambientes ideais para organismos produtores de oxigênio

Cratera de Hapcheon: Cientistas acreditam que lagos hidrotermais criados após impactos espaciais ajudaram a transformar a atmosfera terrestre (Shutterstock)

Cratera de Hapcheon: Cientistas acreditam que lagos hidrotermais criados após impactos espaciais ajudaram a transformar a atmosfera terrestre (Shutterstock)

Publicado em 24 de maio de 2026 às 13h39.

Uma cratera antiga escondida na Coreia do Sul pode ajudar cientistas a responder uma das perguntas mais importantes da história da Terra: como surgiu a vida capaz de produzir oxigênio no planeta.

Pesquisadores do Korea Institute of Geoscience and Mineral Resources encontraram estromatólitos, estruturas rochosas formadas por comunidades microbianas primitivas, dentro da cratera de impacto de Hapcheon. A descoberta sugere que impactos de asteroides podem ter criado ambientes quentes e ricos em minerais, ideais para o desenvolvimento de organismos produtores de oxigênio.

O estudo foi publicado na revista científica Communications Earth & Environment na última sexta-feira e representa a primeira evidência abrangente de que crateras formadas por asteroides poderiam funcionar como verdadeiros incubadores de vida microbiana.

A cratera escondida

A cratera de Hapcheon é o único impacto confirmado de asteroide na Península Coreana. Segundo os pesquisadores, após a colisão, o calor extremo gerado pelo impacto derreteu rochas ao redor e aqueceu a água da região por longos períodos. Esse processo teria criado um lago hidrotermal rico em nutrientes, um ambiente considerado perfeito para microrganismos antigos sobreviverem e se multiplicarem.

Os cientistas encontraram vários estromatólitos na parte noroeste da cratera, com estruturas entre 10 e 20 centímetros de diâmetro. Essas formações são consideradas algumas das evidências mais antigas de vida na Terra. “Este é o primeiro conjunto abrangente de evidências sugerindo que estromatólitos poderiam se formar em lagos hidrotermais criados por impactos de asteroides”, afirmou o pesquisador Jaesoo Lim, autor principal do estudo. “Esses ambientes podem ter fornecido condições favoráveis para ecossistemas microbianos primitivos.”

O mistério da oxigenação da Terra

A descoberta também pode ajudar a explicar um dos eventos mais importantes da história do planeta: o chamado Grande Evento de Oxidação, ocorrido há cerca de 2,4 bilhões de anos. Foi nesse período que os níveis de oxigênio na atmosfera terrestre começaram a aumentar drasticamente graças à atividade de organismos fotossintetizantes, como as cianobactérias.

Os pesquisadores acreditam que crateras aquecidas por impactos espaciais podem ter funcionado como “oásis de oxigênio”, locais isolados onde esses microrganismos conseguiam prosperar antes que o oxigênio se espalhasse pelo planeta inteiro. 

A descoberta que também interessa a Marte

Os resultados não ajudam apenas a entender o passado da Terra. Eles também podem influenciar a busca por vida fora do planeta. Segundo os pesquisadores, Marte primitivo provavelmente tinha crateras cheias de água semelhantes às encontradas na Terra antiga. Isso significa que ambientes criados por impactos de asteroides podem ser locais promissores para procurar sinais de vida microbiana no planeta vermelho.

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