Envelhecimento: pesquisa abre caminho para novas terapias ao eliminar compostos ligados à idade (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
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Publicado em 27 de julho de 2026 às 20h36.
Pesquisadores desenvolveram uma enzima capaz de remover um dos principais compostos que se acumulam nos tecidos ao longo do envelhecimento, abrindo uma nova estratégia para tratar doenças relacionadas à idade. Em vez de impedir que essas substâncias se formem, a proposta é eliminá-las depois que já estão presentes nos tecidos do organismo.
A descoberta foi descrita em um estudo publicado na revista Nature Communications. Embora os resultados ainda estejam restritos a experimentos de laboratório, os pesquisadores afirmam que a tecnologia poderá, no futuro, contribuir para o tratamento de doenças associadas ao envelhecimento.
O estudo se concentra nos chamados produtos finais de glicação avançada (AGEs, na sigla em inglês). Esses compostos são formados quando açúcares reagem lentamente com proteínas e gorduras do organismo.
Ao longo dos anos, eles se acumulam em tecidos como o colágeno, tornando-os mais rígidos e favorecendo processos inflamatórios.
Segundo os autores, esse acúmulo está associado ao envelhecimento dos tecidos e a doenças como diabetes, problemas cardiovasculares, doenças renais e alterações oculares.
De acordo com a análise, até hoje, a maior parte das pesquisas buscava impedir a formação dos AGEs, mas sem resultados expressivos.
No estudo, pesquisadores da Revel Pharmaceuticals desenvolveram uma enzima chamada CMLase, projetada para remover um dos AGEs mais comuns encontrados nos tecidos humanos.
Para chegar ao composto, a equipe utilizou ferramentas de inteligência artificial para analisar sequências de DNA de mais de 50 mil microrganismos, em busca de enzimas capazes de degradar essas moléculas.
Após diversas etapas de otimização, os pesquisadores obtiveram uma versão da enzima capaz de remover esses compostos de amostras de tecido humano em laboratório.
Em um dos experimentos, a CMLase reduziu os níveis desse AGE em amostras de pele humana de aproximadamente 70 anos para níveis semelhantes aos observados em tecidos de uma pessoa de cerca de 30 anos.Os autores destacam, porém, que esse resultado se refere apenas à concentração do composto analisado e não significa que o tecido tenha rejuvenescido ou recuperado todas as características de uma pele mais jovem.
Os pesquisadores pretendem iniciar estudos voltados para doenças oculares relacionadas ao diabetes, nas quais os AGEs se acumulam na retina e no cristalino.
Se a estratégia se mostrar segura e eficaz em estudos clínicos, a enzima também poderá ser investigada para outras condições associadas ao acúmulo dessas moléculas, incluindo alterações cardiovasculares, doenças renais e perda da elasticidade do colágeno.
Apesar dos resultados promissores, a pesquisa ainda está em estágio inicial. Os experimentos foram realizados em amostras de tecido humano e não demonstram que a enzima seja capaz de reverter o envelhecimento em pessoas, tampouco de aumentar a longevidade.
Os próximos passos incluem estudos para avaliar a segurança e a eficácia da CMLase em organismos vivos antes que qualquer aplicação clínica possa ser considerada.