Ciência

Cometa 3I/ATLAS pode ser objeto mais antigo já visto no sistema solar

Cientistas dizem que o cometa 3I/ATLAS pode ter surgido quando o universo tinha apenas 13% da idade atual

3I/ATLAS: cometa pode ser mais velho que quase tudo no Sistema Solar

3I/ATLAS: cometa pode ser mais velho que quase tudo no Sistema Solar

Publicado em 23 de junho de 2026 às 08h02.

Um cometa vindo de fora do sistema solar pode ser também um dos objetos mais antigos já observados pela humanidade. O 3I/ATLAS, terceiro visitante interestelar identificado até hoje, teria se formado entre 10 bilhões e 12 bilhões de anos atrás, segundo uma nova análise de sua composição química.

As conclusões são de pesquisadores que analisam dados obtidos pelo Telescópio Espacial Hubble e pelo Telescópio Espacial James Webb.

O objeto apresenta características químicas consideradas diferentes de tudo o que existe no sistema solar e pode oferecer pistas sobre a formação de sistemas planetários no universo primitivo.

Um visitante de outra era do universo

O 3I/ATLAS tem cerca de 2,6 quilômetros de diâmetro e foi identificado como o terceiro objeto interestelar já detectado no sistema solar — depois do ‘Oumuamua, em 2017, e do cometa 2I/Borisov, em 2019.

Segundo o estudo publicado na revista Nature, o cometa pode ter se formado em um ambiente muito mais frio e antigo do que aquele em que a Terra surgiu, há cerca de 4,5 bilhões de anos. Estimativas indicam que o universo tinha apenas cerca de 13% da idade atual quando o objeto se originou.

Os pesquisadores afirmam que o cometa provavelmente foi ejetado de seu sistema planetário de origem após interações gravitacionais com outros corpos, iniciando uma viagem interestelar que pode ter durado bilhões de anos.

Composição química diferente de tudo no sistema solar

As análises mostram que o 3I/ATLAS possui proporções isotópicas incomuns. A água do cometa contém cerca de 30 vezes mais deutério — uma forma pesada de hidrogênio — do que cometas típicos do sistema solar.

Além disso, as proporções de carbono observadas diferem tanto de objetos locais quanto de nuvens interestelares próximas e discos de formação planetária ao redor de estrelas jovens.

Apesar da origem remota, o objeto apresenta moléculas orgânicas complexas, incluindo elementos essenciais como carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio e enxofre, o que reforça o interesse científico sobre sua formação.

O que o cometa revela sobre o universo primitivo

Para os cientistas, o 3I/ATLAS pode ter se formado em um ambiente mais frio, menos rico em metais e mais exposto à radiação ultravioleta e raios cósmicos do que o sistema solar atual.

Esse cenário ajuda a reconstruir as condições químicas de sistemas planetários muito antigos, formados durante uma fase intensa de nascimento de estrelas no universo.

Os dados também indicam que o objeto pode ter vindo da Via Láctea, embora pesquisadores não descartem a possibilidade de origem em outra galáxia, devido à sua idade extrema.

Rota pelo sistema solar e próximos passos

O 3I/ATLAS segue sua trajetória pelo sistema solar e atualmente se aproxima da órbita de Saturno. A expectativa é que ele ultrapasse a órbita de Plutão até 2029 e deixe completamente a região externa do sistema solar por volta de 2035.

Cientistas afirmam que o objeto é natural, apesar de teorias especulativas levantadas no passado. As observações atuais confirmam o comportamento típico de um cometa interestelar, com núcleo gelado e cauda de poeira.

O estudo reforça a importância desses raros visitantes para entender a formação de planetas e a evolução química do universo ao longo de bilhões de anos.

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