Ciência

Hubble flagra pela primeira vez cometa que inverte rotação e pode se destruir

Estudo indica que gases expelidos alteraram o movimento do cometa 41P, que pode se desintegrar nas próximas décadas

Cometa 41P/Tuttle-Giacobini-Kresák pode ter invertido sua rotação após liberação de gases (NASA, ESA, CSA, Ralf Crawford (STScI))

Cometa 41P/Tuttle-Giacobini-Kresák pode ter invertido sua rotação após liberação de gases (NASA, ESA, CSA, Ralf Crawford (STScI))

Publicado em 2 de abril de 2026 às 14h35.

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Um cometa pode ter invertido sua rotação pela primeira vez. As informações foram publicadas pelo Astronomical Journal. O objeto, conhecido como 41P/Tuttle-Giacobini-Kresák, teria desacelerado até parar e, em seguida, passado a girar no sentido oposto.

A mudança foi atribuída à liberação de gases provocada pelo aquecimento do Sol, que atuou como uma força capaz de alterar o movimento do cometa.

Gases alteram rotação

De acordo com o astrônomo David Jewitt, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, a explicação mais provável é que jatos de gás tenham reduzido a rotação do cometa até a parada completa, antes de fazê-lo girar na direção oposta.

Esse efeito ocorre quando o calor solar provoca a sublimação do gelo do cometa, liberando gás que funciona como um tipo de propulsão natural.

Observações feitas em 2017 já indicavam mudanças incomuns na rotação. Em março daquele ano, o objeto completava uma volta em menos tempo, mas em maio passou a girar mais lentamente, levando entre 46 e 60 horas para completar a rotação.

Esse desaceleramento, foi considerado o mais rápido já registrado em um cometa, como mostrado em estudo anterior publicado na revista Nature.

Meses depois, imagens do Telescópio Espacial Hubble mostraram que o objeto voltou a acelerar, passando a girar em 14 horas — um indício de que a rotação pode ter sido invertida nesse intervalo.

Por que há risco de desintegração do cometa?

Com cerca de um quilômetro de diâmetro, o cometa pode continuar acelerando na nova direção até se romper. Esse processo pode levar à desintegração do cometa nas próximas décadas, embora o momento exato ainda seja incerto.

A observação também ajuda a explicar por que cometas menores são menos comuns. Segundo o pesquisador, objetos desse tipo tendem a acelerar rapidamente até se desintegrar, o que reduz sua permanência no Sistema Solar.

O caso do 41P mostra que esses corpos não são estáveis por longos períodos, apesar de muitas vezes parecerem permanentes no céu.

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