Ciência

Sete dias sem comer: cientistas descobrem quando o corpo começa a mudar

Estudo mostra que os efeitos do jejum prolongado no organismo vão além da perda de peso e envolvem mudanças em diferentes órgãos

Jejum prolongado: estudo acompanhou voluntários durante sete dias ingerindo apenas água (Freepik)

Jejum prolongado: estudo acompanhou voluntários durante sete dias ingerindo apenas água (Freepik)

Publicado em 6 de outubro de 2026 às 15h43.

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Ficar sete dias sem comer provoca mudanças que vão além da perda de peso e da utilização da gordura como fonte de energia. Um estudo com voluntários saudáveis identificou alterações em centenas de proteínas do organismo durante um período de jejum prolongado apenas com água.

As mudanças mais amplas começaram a aparecer depois de aproximadamente três dias sem ingestão de calorias. Os pesquisadores observaram alterações relacionadas a diferentes órgãos e processos biológicos.

O estudo foi feito por cientistas da Queen Mary University of London e da Escola Norueguesa de Ciências do Esporte, com os resultados foram publicados na revista científica Nature Metabolism.

Apesar dos resultados, os autores destacam que o jejum prolongado pode não ser adequado para pacientes com determinadas condições de saúde.

O que acontece durante sete dias de jejum?

Para as análises, os pesquisadores acompanharam 12 voluntários saudáveis que passaram sete dias ingerindo apenas água. Antes, durante e depois do período, a equipe analisou aproximadamente 3 mil proteínas presentes no sangue. O objetivo era observar como diferentes sistemas do organismo respondiam à ausência completa de calorias.

Nos primeiros dois ou três dias, ocorreu uma mudança já conhecida pelos cientistas. Com a redução da energia disponível proveniente da glicose, o organismo passou gradualmente a utilizar mais a gordura armazenada como fonte de energia.

Os participantes perderam, em média, 5,7 quilos durante os sete dias. A redução incluiu tanto gordura quanto massa magra. Três dias depois de retomarem a alimentação, grande parte da massa magra perdida havia retornado. A redução da massa gorda, porém, permaneceu.

Mudanças aumentaram após três dias

O resultado que mais chamou a atenção apareceu por volta do terceiro dia. A partir desse momento, os pesquisadores identificaram alterações mais amplas nos níveis de proteínas presentes no organismo.

Cerca de um terço das proteínas analisadas apresentou mudanças significativas durante o jejum, com efeitos relacionados aos principais órgãos. Parte dessas alterações também não podia ser explicada somente pela perda de peso, segundo os pesquisadores.

Entre os sinais encontrados estavam mudanças em proteínas relacionadas ao suporte estrutural dos neurônios, células responsáveis pela transmissão de informações no sistema nervoso.

Os resultados indicam que a resposta do organismo ao jejum prolongado envolve processos mais amplos do que simplesmente trocar a glicose pela gordura como fonte de energia.

Jejum pode trazer benefícios à saúde?

O estudo encontrou alterações moleculares associadas a diferentes processos biológicos, mas os resultados exigem cautela. A pesquisa analisou um grupo pequeno de adultos saudáveis e não foi desenvolvida para demonstrar que sete dias sem alimentação previnem ou tratam doenças.

Também não é possível aplicar diretamente os resultados ao jejum intermitente. Essa estratégia geralmente envolve períodos consideravelmente menores sem alimentação, enquanto os participantes do estudo permaneceram sete dias sem consumir calorias.

Segundo os pesquisadores, algumas das alterações moleculares mais expressivas apareceram somente após aproximadamente três dias de restrição calórica completa. Por isso, períodos mais curtos não necessariamente provocariam os mesmos efeitos observados no experimento.

Pesquisa pode ajudar a desenvolver tratamentos

Uma das possibilidades levantadas pelos pesquisadores não envolve fazer as pessoas permanecerem vários dias sem comer. Ao identificar quais mecanismos moleculares são ativados durante o jejum, cientistas podem tentar descobrir quais deles estão relacionados a possíveis benefícios à saúde.

No futuro, esse conhecimento poderia ajudar no desenvolvimento de tratamentos capazes de reproduzir determinados efeitos biológicos sem exigir uma restrição alimentar tão prolongada.

Essa possibilidade seria particularmente relevante para pessoas que não podem realizar jejuns longos com segurança. Os pesquisadores, porém, ainda precisam determinar quais alterações observadas são realmente benéficas, quais podem ser prejudiciais e quais representam apenas adaptações temporárias do organismo à ausência de alimentos.

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