Ciência

Frutose dá mais fome que glicose? Estudo dá pistas

Pesquisadores mostram que açúcares ativam vias diferentes no cérebro e influenciam a sensação de fome

Açúcar: frutose e glicose têm praticamente as mesmas calorias, mas estudo mostra efeitos distintos no cérebro (Freepik)

Açúcar: frutose e glicose têm praticamente as mesmas calorias, mas estudo mostra efeitos distintos no cérebro (Freepik)

Publicado em 29 de junho de 2026 às 09h34.

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A frutose e a glicose podem fornecer praticamente a mesma quantidade de calorias, mas o cérebro reage de forma diferente a cada uma delas. Um estudo conduzido por pesquisadores do Monell Chemical Senses Center, nos Estados Unidos, mostrou que esses açúcares ativam vias distintas de comunicação entre o intestino e o cérebro, o que pode influenciar a sensação de fome e as preferências alimentares.

Os resultados, obtidos em experimentos com ratos e publicados neste mês pela revista científica Neuron, ajudam a explicar por que alimentos e bebidas adoçados com xarope de milho rico em frutose (HFCS) podem ser especialmente atraentes.

Frutose tem efeito mais fraco na saciedade

Nos experimentos, os pesquisadores analisaram a atividade de neurônios AgRP, localizados no hipotálamo e responsáveis por estimular a sensação de fome, após a ingestão de diferentes açúcares.

A frutose estimulou a liberação do hormônio intestinal PYY, que participa da comunicação entre o intestino e o cérebro por meio do nervo vago. Essa via reduziu apenas moderadamente a atividade dos neurônios AgRP. Quando os pesquisadores bloquearam esse mecanismo, a frutose deixou de produzir esse efeito.

A glicose, por outro lado, utilizou uma via diferente e suprimiu de forma muito mais intensa a atividade desses neurônios, indicando um efeito mais forte sobre os sinais cerebrais relacionados à saciedade.

Tipo de açúcar influencia a resposta do cérebro

Os resultados sugerem que o cérebro não responde apenas à quantidade de calorias consumidas, mas também ao tipo de açúcar ingerido.

Embora frutose e glicose forneçam a mesma quantidade de energia, elas ativaram mecanismos biológicos distintos e produziram respostas diferentes nos circuitos neurais ligados ao controle da fome.

Segundo os pesquisadores, as descobertas colocam em dúvida a ideia de que esses neurônios regulam o apetite apenas com base no valor calórico dos alimentos.

Xarope de milho rico em frutose despertou maior preferência

A equipe também avaliou os efeitos do xarope de milho rico em frutose (HFCS), um adoçante produzido a partir da combinação de frutose e glicose e amplamente utilizado em refrigerantes, bebidas adoçadas e alimentos ultraprocessados.

Embora frutose e glicose tenham produzido efeitos semelhantes sobre a quantidade de alimento consumida logo após a ingestão, os ratos passaram a demonstrar preferência pelo HFCS ao longo do experimento.

Além disso, o adoçante reduziu a atividade dos neurônios AgRP de forma mais intensa do que a frutose isoladamente. Segundo os pesquisadores, esse efeito pode ajudar a explicar por que produtos que contêm HFCS costumam ser particularmente atrativos.

Descoberta pode ampliar pesquisas sobre alimentação

Diante disso, os autores afirmam que compreender como diferentes açúcares são percebidos pelo cérebro pode ampliar as pesquisas sobre controle do apetite, obesidade e comportamento alimentar.

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