Ciência

Semana Mundial do Espaço: 6 filmes que exploram o espaço de forma mais realista

De 'Interestelar' a '2001: Uma Odisseia no Espaço', produções recorrem a conceitos reais da astronomia para retratar missões espaciais, buracos negros e outros fenômenos

'Interestelar': filme explora como a gravidade pode afetar a passagem do tempo (interestelar/Reprodução)

'Interestelar': filme explora como a gravidade pode afetar a passagem do tempo (interestelar/Reprodução)

Publicado em 6 de outubro de 2026 às 10h41.

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Buracos negros, viagens a Marte e busca por vida extraterrestre são temas frequentemente abordados pela ficção científica. Algumas produções, porém, se destacam pela tentativa de retratar de forma realista fenômenos físicos e desafios da exploração espacial.

A Semana Mundial do Espaço, celebrada entre 4 e 10 de outubro, é uma oportunidade para conhecer filmes que levaram conceitos da astronomia, física e engenharia para as telas sem deixar a ciência de lado. Entre as obras frequentemente elogiadas por cientistas estão "Perdido em Marte", "Apollo 13", "Interestelar", "2001: Uma Odisseia no Espaço" entre outros.

As obras abordam desde a sobrevivência em ambientes extremos até gravidade, órbitas e comunicação com possíveis formas de vida extraterrestre. Apesar do cuidado com a precisão, algumas obras também recorrem a elementos especulativos ou licenças dramáticas.

Filmes de ficção científica mais precisos

Veja abaixo seis filmes sobre o espaço conhecidos pelo cuidado com a ciência.

'Perdido em Marte'

Lançado em 2015, "Perdido em Marte" acompanha o astronauta Mark Watney, interpretado por Matt Damon, depois que ele fica sozinho em Marte. Para sobreviver, o personagem precisa encontrar soluções para produzir alimentos, obter água e estabelecer comunicação com a Terra.

O longa ficou conhecido pelo cuidado ao retratar desafios que seriam enfrentados por seres humanos no planeta vermelho, incluindo cultivo, logística e disponibilidade limitada de recursos.

Um dos principais desvios científicos aparece justamente no início da história. Uma forte tempestade de poeira obriga os astronautas a abandonar a missão. Segundo a Nasa, tempestades desse tipo realmente ocorrem em Marte e podem atingir grandes proporções. A atmosfera marciana, porém, tem apenas cerca de 1% da densidade da terrestre. Por isso, mesmo ventos fortes não exerceriam a força apresentada no filme.

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'Interestelar'

"Interestelar", dirigido por Christopher Nolan e lançado em 2014, levou conceitos complexos da física para o centro da história. O físico Kip Thorne, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), participou da produção como consultor científico. O pesquisador recebeu o Nobel de Física de 2017, ao lado de Rainer Weiss e Barry Barish, por contribuições decisivas ao detector LIGO e à observação de ondas gravitacionais.

Entre os conceitos explorados pelo longa estão buracos negros, relatividade e dilatação gravitacional do tempo. Um dos destaques é Gargantua, o buraco negro supermassivo da história.

De acordo com trabalho publicado por Thorne e integrantes da equipe de efeitos visuais, foi desenvolvido um programa para calcular a propagação da luz pelo espaço-tempo curvado ao redor de um buraco negro em rotação.

A trama também apresenta um planeta onde o tempo passa muito mais lentamente devido à proximidade com Gargantua. O fenômeno tem fundamento na relatividade geral, segundo a qual a gravidade pode afetar a passagem do tempo.

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'Gravidade'

"Gravidade", de 2013, acompanha dois astronautas tentando sobreviver depois que detritos atingem sua missão na órbita da Terra.

Embora a história seja fictícia, o perigo representado na produção é real. A Nasa considera os detritos orbitais uma ameaça para espaçonaves, satélites e astronautas.

Fragmentos de equipamentos podem permanecer ao redor da Terra em velocidades muito elevadas. Segundo a agência, colisões nessas condições são capazes de danificar veículos espaciais e, nos casos mais graves, provocar falhas catastróficas.

O longa, entretanto, toma liberdades ao transformar esse risco em uma sequência de acontecimentos construída para aumentar a tensão da narrativa.

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'Contato'

Por fim, "Contato", de 1997, explora uma questão diferente: como cientistas poderiam procurar sinais de uma civilização extraterrestre. O longa é baseado no livro homônimo do astrônomo Carl Sagan e acompanha Ellie Arroway, cientista envolvida na busca por inteligência fora da Terra.

A personagem utiliza radiotelescópios para procurar sinais artificiais provenientes do espaço. A estratégia tem relação direta com projetos científicos reais de busca por inteligência extraterrestre, que analisam sinais eletromagnéticos em busca de possíveis evidências de tecnologia produzida fora da Terra.

De acordo com o SETI Institute, a história combina essa base científica com elementos especulativos necessários para desenvolver a narrativa.

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'Apollo 13'

"Apollo 13", lançado em 1995, diferencia-se dos demais títulos por reconstruir uma missão espacial que realmente aconteceu. A missão da Nasa partiu em abril de 1970 com o objetivo de levar astronautas à Lua. Uma explosão em um tanque de oxigênio, porém, obrigou a tripulação a abandonar o pouso lunar.

A obra acompanha os esforços dos astronautas e das equipes em solo para manter a nave funcionando e trazer os três tripulantes de volta à Terra. A produção buscou reproduzir equipamentos, procedimentos e ambientes utilizados durante a missão.

Parte das cenas de ausência de peso foi gravada durante voos parabólicos, permitindo que os atores experimentassem pequenos períodos reais de microgravidade.

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'2001: Uma Odisseia no Espaço'

Lançado em 1968, antes da chegada dos primeiros seres humanos à Lua, "2001: Uma Odisseia no Espaço" tornou-se uma referência da ficção científica. Dirigido por Stanley Kubrick, o longa buscou retratar de forma realista diferentes aspectos das viagens espaciais.

Um dos exemplos citados pelo Museu Nacional do Ar e Espaço dos Estados Unidos é o silêncio fora das espaçonaves. Como o espaço é praticamente um vácuo, não existe um meio para que as ondas sonoras se propaguem como ocorre na atmosfera terrestre.

A produção também retrata a ausência de peso e apresenta estruturas giratórias como forma de produzir um efeito semelhante à gravidade.

Embora algumas tecnologias sejam fictícias, a preocupação com princípios físicos ajudou o longa a manter parte de seu realismo décadas depois do lançamento.

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