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Vencedor do Oscar, filme Interestelar vira debate sobre decisão para ex-alunos na Saint Paul

Saint Paul usa o filme para discutir liderança e decisão sob incerteza na Comunidade Alumni HIPs

Rumo às estrelas (Divulgação/Reprodução)

Rumo às estrelas (Divulgação/Reprodução)

Publicado em 17 de setembro de 2026 às 15h39.

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Um grupo de ex-alunos da Saint Paul se reuniu na noite de quarta-feira, 16, para uma sessão do "Cine SEER", formato da Comunidade Alumni HIPs que usa o cinema como ponto de partida para discutir temas que não cabem em uma planilha. Desta vez, o filme em cartaz foi Interestelar.

A sessão foi mediada por Maria Silvia, diretora do Programa SEER, e José Cláudio Securato, CEO da Saint Paul. A proposta não era analisar cinema, mas usar a trama do filme como simulador de um problema que já chegou às empresas: como decidir em cenários sem controle total, sem garantias e com consequências que ultrapassam quem decide.

Um filme premiado como ferramenta de reflexão

Lançado em 2014 e dirigido por Christopher Nolan, Interestelar acompanha um grupo de astronautas que atravessa um buraco de minhoca em busca de um planeta habitável, enquanto a Terra se torna inabitável para as próximas gerações. O elenco é liderado por Matthew McConaughey, Anne Hathaway e Jessica Chastain.

O filme levou o Oscar de Melhores Efeitos Visuais em 2015 e concorreu em outras cinco categorias, entre elas trilha sonora original, fotografia e desenho de produção. Parte da reputação do longa vem da consultoria científica do físico Kip Thorne, que ajudou a construir a representação do buraco negro exibida na tela, hoje citada até em pesquisas acadêmicas sobre relatividade.

É esse cruzamento, ficção construída sobre ciência real e personagens forçados a decidir sem certezas, que explica a escolha do filme para abrir a conversa na Saint Paul.

Os fios que ligam a tela à cadeira de decisão

A discussão conduzida por Maria Silvia e Securato percorreu sete eixos que aproximam a trama do dia a dia corporativo:

  • Complexidade: um mundo em colapso, no qual as respostas conhecidas deixam de funcionar
  • Decisão sob incerteza: agir sem controle total e sem garantias, mas com alto impacto humano
  • Futuro e responsabilidade: escolhas que envolvem gerações, legado e continuidade
  • Ciência e consciência: a razão técnica é necessária, mas não decide sozinha
  • Tempo e consequência: cada escolha produz efeitos em escalas diferentes
  • Liderança e travessia: abandonar certezas antigas para sustentar presença diante do desconhecido
  • Propósito: o que está em jogo, de fato, quando uma decisão difícil precisa ser tomada

Securato, doutor em Administração pela Universidade de São Paulo e referência em comportamento decisório, e Maria Silvia, que soma passagem por grandes instituições financeiras à direção do Programa SEER, usaram cada eixo para puxar o grupo de volta ao próprio contexto de trabalho.

Da razão ao amor: a leitura de Securato sobre o filme

Antes da sessão, Securato enviou aos alumni um texto próprio sobre Interestelar, base da provocação feita na noite do Cine SEER. Nele, o fundador da Saint Paul lê o filme como uma representação da passagem do mundo moderno para o contemporâneo: a narrativa começa apoiada nos pilares da modernidade, ciência, razão e tecnologia, e avança para um território em que essas ferramentas deixam de bastar.

É a diferença, segundo o texto, entre o complicado, que cálculo e conhecimento resolvem, e o complexo, no qual permanecem incerteza, subjetividade e mistério.

O material também trata da finitude como tema central do filme, não apenas como morte, mas como irreversibilidade do tempo: viver significa escolher e, ao escolher, perder todas as possibilidades que aquele tempo poderia ter abrigado. É nesse ponto que Securato identifica no amor uma forma de transcendência, presente tanto na relação de Cooper com a filha, Murph, quanto na hipótese levantada pela personagem Amelia Brand de que o sentimento atravessa tempo e espaço.

"A ciência oferece o mecanismo. O amor oferece o sentido", resume o texto de Securato.

A reflexão passa ainda pela relação entre humano e máquina, representada pelos robôs TARS e CASE. Para o executivo, a capacidade de cálculo das máquinas não resolve sozinha as decisões mais difíceis da trama, que envolvem confiança, medo e sacrifício. "A máquina pode calcular probabilidades. O humano precisa atribuir valor", escreve Securato, no trecho que aproxima o filme dos dilemas de liderança que motivaram a escolha do Cine SEER.

Foto: Antony Miguel/Saint Paul (Antony Miguel/Saint Paul)

O que o Cine SEER quer provocar

O formato integra a agenda da Comunidade Alumni HIPs, iniciativa da Saint Paul que reúne ex-alunos de seus High Impact Programs para debates que extrapolam o conteúdo técnico dos cursos. A aposta é que cinema, ao contrário de um estudo de caso tradicional, abre espaço para ambiguidade, exatamente o tipo de desconforto que a liderança contemporânea precisa aprender a tolerar antes de decidir.

A sessão de Interestelar não ofereceu uma resposta única sobre como decidir sob incerteza. Deixou, para cada participante, a mesma pergunta que atravessa o filme: o que fazer quando não há certeza nenhuma, e a decisão não pode esperar por ela.

Conheça o SEER, programa da Saint Paul sobre liderança e decisão.

Antony Miguel/Saint Paul (Antony Miguel/Saint Paul)

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