Parkinson: cientistas investigam como o pesticida afeta o cérebro (Imagem gerada por IA/EXAME)
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Publicado em 30 de junho de 2026 às 16h16.
Um pesticida amplamente utilizado na agricultura pode estar associado a um aumento significativo do risco de desenvolver doença de Parkinson. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) encontrou uma associação entre a exposição prolongada ao clorpirifós e um risco mais de duas vezes maior da doença, além de identificar mecanismos biológicos que ajudam a explicar como a substância pode afetar o cérebro.
Os resultados foram publicados na revista científica Molecular Neurodegeneration. Além de analisar dados de centenas de pessoas, a pesquisa realizou experimentos em animais para investigar como o pesticida interfere no funcionamento dos neurônios responsáveis pela produção de dopamina, neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos.
Os pesquisadores analisaram informações de 829 pessoas com doença de Parkinson e 824 participantes sem a doença, todos integrantes do estudo Parkinson's Environment and Genes, da UCL. Para estimar a exposição ao clorpirifós, a equipe cruzou registros oficiais de aplicação do pesticida na Califórnia com os endereços residenciais e de trabalho dos participantes ao longo dos anos.
A análise mostrou que pessoas com exposição prolongada ao produto nas proximidades de suas residências apresentaram um risco 2,5 vezes maior de desenvolver Parkinson em comparação com aquelas sem exposição estimada.Para entender o que poderia explicar essa associação, os cientistas realizaram experimentos com camundongos expostos ao clorpirifós por inalação durante 11 semanas, em condições que simulavam a exposição ambiental.
Os animais desenvolveram alterações nos movimentos e apresentaram perda de neurônios dopaminérgicos, o mesmo tipo de célula cerebral que sofre degeneração na doença de Parkinson.
Os pesquisadores também observaram aumento da inflamação cerebral e acúmulo de alfa-sinucleína, proteína que forma agregados anormais característicos da doença e está associada à morte dessas células nervosas.
Experimentos adicionais com peixes-zebra indicaram que o clorpirifós compromete a autofagia, mecanismo utilizado pelas células para eliminar proteínas danificadas e outros resíduos celulares.
Quando esse sistema de limpeza deixou de funcionar adequadamente, os neurônios ficaram mais vulneráveis aos danos. Já quando os pesquisadores restauraram a autofagia ou impediram o acúmulo de alfa-sinucleína, as células nervosas foram protegidas.
Segundo os autores, esses resultados sugerem que o pesticida pode favorecer o desenvolvimento da doença ao dificultar a remoção de proteínas potencialmente tóxicas do cérebro.Embora o uso residencial do clorpirifós tenha sido proibido nos Estados Unidos em 2001 e sua aplicação agrícola tenha recebido restrições em 2021, o pesticida ainda é utilizado em diversas culturas agrícolas e permanece em uso em vários países.
Para os pesquisadores, os resultados reforçam a necessidade de investigar outros pesticidas que possam afetar a autofagia de maneira semelhante. A equipe também acredita que terapias capazes de preservar esse sistema natural de limpeza celular poderão ser exploradas futuramente como estratégia para proteger neurônios vulneráveis.
Os autores ressaltam que o estudo fortalece as evidências de que fatores ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença de Parkinson, embora novas pesquisas ainda sejam necessárias para aprofundar a compreensão dessa relação.