Ciência

Estes cientistas descobriram uma molécula que pode bloquear o avanço do Parkinson no cérebro

Pesquisadores identificaram proteína ligada à propagação do Parkinson e conseguiram bloquear o processo em testes de laboratório

Neurociência: estudo investigou como células imunológicas podem acelerar degeneração cerebral (Andriy Onufriyenko/Getty Images)

Neurociência: estudo investigou como células imunológicas podem acelerar degeneração cerebral (Andriy Onufriyenko/Getty Images)

Publicado em 31 de maio de 2026 às 06h01.

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Pesquisadores da Perelman School of Medicine at the University of Pennsylvania identificaram uma proteína que pode ajudar a doença de Parkinson a se espalhar pelo cérebro.

Em testes laboratoriais, cientistas conseguiram bloquear a ação dessa molécula usando anticorpos, interrompendo a propagação dos danos entre células nervosas.

Os resultados foram publicados na revista científica Neuron e podem contribuir para o desenvolvimento de tratamentos voltados a desacelerar a progressão da doença.

Como a doença de Parkinson se espalha?

A doença de Parkinson está associada ao acúmulo anormal da proteína alfa-sinucleína nos neurônios. Com o tempo, esses aglomerados tóxicos danificam as células cerebrais e conseguem se espalhar para regiões vizinhas do cérebro.

À medida que esse processo avança, sintomas como tremores, dificuldade de equilíbrio, alterações motoras e problemas para caminhar tendem a se intensificar.

Embora existam tratamentos capazes de aliviar os sintomas, ainda não há terapias aprovadas para impedir ou retardar diretamente a progressão da doença.

Testes impediram espalhamento da doença

O estudo identificou a proteína GPNMB como um possível elemento importante nesse processo de disseminação. Segundo os pesquisadores, células imunológicas do cérebro chamadas micróglias passam a produzir maiores quantidades de GPNMB quando detectam neurônios lesionados.

Parte dessa proteína é liberada e circula entre as células cerebrais, favorecendo a propagação da alfa-sinucleína tóxica.

Para os cientistas, isso cria um ciclo contínuo de degeneração: danos nos neurônios estimulam a liberação de GPNMB, que, por sua vez, facilita novos acúmulos da proteína associada ao Parkinson.

Descoberta encontrou sinais em humanos

Nos experimentos, os pesquisadores desenvolveram anticorpos monoclonais capazes de bloquear a ação da GPNMB. Em testes realizados com neurônios cultivados em laboratório, os anticorpos impediram a disseminação da alfa-sinucleína entre as células.

A equipe também analisou amostras de 1.675 cérebros humanos armazenados em um banco de tecidos cerebrais. Segundo os resultados, pessoas com variantes genéticas associadas a maiores níveis de GPNMB apresentavam maior extensão de danos relacionados ao Parkinson.

Os autores ressaltam que os resultados ainda são preliminares e que a abordagem não foi testada em pacientes. Mesmo assim, os pesquisadores consideram a descoberta promissora, uma vez que pode representar uma nova estratégia para retardar o avanço da doença nos estágios iniciais.

Segundo a equipe, o aumento da GPNMB não apresentou relação relevante com marcadores típicos de outras doenças neurodegenerativas, como o doença de Alzheimer, reforçando a possível ligação específica com o Parkinson.

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