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Japão recria serviço de inteligência abandonado após a 2ª Guerra

Com novas ameaças geopolíticas, a preimeira-ministra Sanae Takaichi consolida uma agência centralizada de inteligência pela primeira vez em mais de 80 anos

Sanae Takaichi, primeira-ministra do Japão, cumpre promessa eleitoral e começa a formar um serviço de inteligência centralizado

Sanae Takaichi, primeira-ministra do Japão, cumpre promessa eleitoral e começa a formar um serviço de inteligência centralizado

Publicado em 15 de julho de 2026 às 06h05.

O Japão iniciou um esforço sem precedentes desde o fim da Segunda Guerra Mundial: Criar uma agência nacional de inteligência centralizada e, para isso, tem buscado apoio de aliados ocidentais.

A criação de uma agência de inteligência foi uma das promessas eleitorais e é hoje um dos pilares da agenda da primeira-ministra Sanae Takaichi para fortalecer a política de defesa e segurança do Japão diante do aumento das tensões com a China, Rússia e a Coreia do Norte.

Desde que assumiu o cargo, Takaichi já flexibilizou as restrições às exportações de armamentos e impulsionou o maior programa de rearmamento japonês desde o pós-guerra.

Nos últimos meses, o governo japonês também realizou consultas reservadas com países como os Estados Unidos, a Austrália e a Alemanha para obter orientações sobre tecnologia, estrutura de pessoal e prioridades estratégicas da futura agência, revela o New York Times.

Um perigo real

Presidente Donald Trump (EUA) e a primeira-ministra Sanae Takaichi (Japão): líderes desfrutam de bons laços diplomáticos e alinhamento ideológico (Andrew Caballero-Reynolds/Getty Images)

A iniciativa ganhou força em meio ao aumento das preocupações com espionagem estrangeira. Segundo a plataforma, dezenas de agentes russos se estabeleceram no Japão nos últimos anos como parte de uma estratégia do Kremlin para adquirir componentes destinados à indústria bélica, enviá-los à Rússia e contornar sanções internacionais.

Autoridades estrangeiras afirmam ainda ter alertado Tóquio sobre essas operações, mas a resposta japonesa tem sido considerada lenta, uma falha atribuída à ausência de um sistema centralizado de inteligência.

Especialistas apontam que o atual sistema de inteligência do Japão é fragmentado, com informações coletadas e analisadas separadamente por órgãos como as Forças de Autodefesa, o Congresso e a polícia, sem um mecanismo eficiente de compartilhamento entre as diferentes instituições. Essa estrutura é vista como um fator que amplia a vulnerabilidade do país à espionagem e à interferência externa.

O governo também pretende ampliar a proteção de segredos de Estado e de tecnologias estratégicas, além de reforçar o combate a operações de influência estrangeira. Entre as principais preocupações está a atuação da China, que, segundo pesquisadores do grupo de cibersegurança Citizen Lab, tem criado plataformas disfarçadas de veículos de notícias em japonês para disseminar campanhas de desinformação favoráveis a Pequim.

A fim de combater essas ameaças, o Japão intensificou as consultas com aliados para estruturar sua futura agência nacional de inteligência. Segundo o Times, autoridades dos Estados Unidos — principal parceiro de segurança de Tóquio — forneceram orientações sobre sistemas de ciberdefesa, estratégias para combater a espionagem industrial e mecanismos para reforçar a fiscalização de investimentos estrangeiros e da atuação de agentes externos no país.

A cooperação também se estendeu à Europa e à Oceania. O diretor do serviço de inteligência externa da Alemanha (BND) visitou recentemente Tóquio para discutir a criação da agência e formas de ampliar o compartilhamento de informações entre os dois países. Já autoridades australianas ofereceram aconselhamento sobre tecnologias e sobre como integrar diferentes ministérios em um sistema mais coordenado de produção e troca de inteligência.

Questionado sobre o apoio estrangeiro ao projeto, o governo japonês evitou confirmar as negociações, limitando-se a afirmar que mantém cooperação regular com órgãos equivalentes de países parceiros.

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