Ciência

GLP-1 pode reduzir risco de câncer de mama em até 30%, diz estudo

Pesquisa com mais de 110 mil mulheres encontrou menos casos da doença entre usuárias de Ozempic, Wegovy e Mounjaro

Ozempic: estudo associou medicamentos GLP-1 a menor risco de câncer de mama (Freepik)

Ozempic: estudo associou medicamentos GLP-1 a menor risco de câncer de mama (Freepik)

Publicado em 8 de junho de 2026 às 13h06.

Medicamentos usados para diabetes e emagrecimento, como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Zepbound, foram associados a uma redução de cerca de 30% no risco de câncer de mama, segundo um estudo apresentado na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) 2026.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade da Pensilvânia e publicada na revista JCO Oncology Practice, analisou dados de mais de 110 mil mulheres e identificou uma incidência significativamente menor de câncer de mama entre pacientes que utilizavam medicamentos da classe GLP-1.

O que o estudo descobriu

Os pesquisadores avaliaram registros de saúde de 111.646 mulheres entre 45 e 80 anos com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 25. Do total, 15.264 participantes utilizavam medicamentos da classe GLP-1, enquanto 96.382 não tinham histórico de uso desses remédios.

Para aumentar a confiabilidade dos resultados, os cientistas compararam os dois grupos e também realizaram uma análise ajustada, levando em conta fatores como idade, raça, etnia, IMC, densidade mamária e presença de diabetes.

Nas duas avaliações, os resultados seguiram o mesmo padrão. Na população total analisada, as usuárias de medicamentos GLP-1 apresentaram um risco 35,1% menor de desenvolver câncer de mama. Já na comparação entre grupos com características semelhantes, a redução observada foi de 30,5%.

Ozempic, Wegovy e Mounjaro estão entre os medicamentos avaliados

Os medicamentos GLP-1 imitam a ação de um hormônio natural responsável por regular o apetite e os níveis de glicose no sangue.

A categoria inclui medicamentos à base de semaglutida, como Ozempic e Wegovy, além da tirzepatida, presente em Mounjaro e Zepbound.

Embora tenham sido desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, esses medicamentos se popularizaram nos últimos anos devido à eficácia na perda de peso e no controle da obesidade.

Como os medicamentos GLP-1 podem influenciar o risco de câncer

A obesidade é considerada um dos principais fatores de risco para o câncer de mama, sobretudo após a menopausa. Como os medicamentos GLP-1 promovem perda de peso significativa, parte do benefício observado pode estar relacionada à redução do excesso de gordura corporal.

No entanto, os pesquisadores acreditam que outros mecanismos biológicos também possam estar envolvidos. Estudos anteriores indicam que esses medicamentos ajudam a reduzir processos inflamatórios crônicos, melhoram o metabolismo e podem influenciar vias celulares relacionadas ao desenvolvimento de tumores. Esses possíveis efeitos continuam sendo investigados por especialistas em oncologia e endocrinologia.

Apesar dos resultados promissores, os autores ressaltam que a pesquisa é observacional e não permite concluir que os medicamentos sejam diretamente responsáveis pela redução do risco de câncer de mama.

O estudo também não avaliou fatores como tempo de uso dos medicamentos, predisposição genética, estágio dos tumores ou subtipos específicos da doença. Por esse motivo, os pesquisadores já planejam um ensaio clínico multicêntrico para investigar se medicamentos da classe GLP-1 podem atuar como ferramenta de prevenção em mulheres com alto risco de desenvolver câncer de mama.

Segundo a equipe, o objetivo é verificar se a associação observada nos registros de saúde se confirma em estudos clínicos controlados. "Embora nosso estudo não confirme definitivamente uma relação causal, ele reforça a necessidade de investigar esses medicamentos como potenciais ferramentas de prevenção do câncer", afirmou Elizabeth McDonald, radiologista da Universidade da Pensilvânia e autora principal da pesquisa.

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