Ciência

Novo sinal do Sol pode prever tempestades solares com 7 anos de antecedência

Pesquisadores identificaram um 'ponto de desligamento' no ciclo solar que pode indicar a intensidade das futuras tempestades

Sol: novo método usa o número de manchas solares para estimar a intensidade do próximo ciclo de atividade da estrela (Freepik)

Sol: novo método usa o número de manchas solares para estimar a intensidade do próximo ciclo de atividade da estrela (Freepik)

Publicado em 21 de julho de 2026 às 17h46.

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Cientistas identificaram um novo ponto de "desligamento" no ciclo de atividade do Sol que pode permitir prever, com até sete anos de antecedência, a intensidade das futuras tempestades solares. A descoberta pode melhorar as previsões do chamado clima espacial, responsável por afetar satélites, sistemas de navegação, comunicações e até redes elétricas na Terra.

Os resultados foram apresentados na Reunião Nacional de Astronomia da Royal Astronomical Society, no Reino Unido, e divulgados pelo ScienceDaily nesta terça-feira, 21. Segundo os pesquisadores, o novo método já indica que o Ciclo Solar 26 deverá apresentar atividade moderada, embora uma estimativa mais precisa só possa ser feita dentro de cerca de dois anos.

Como funciona o novo método de previsão

O Sol passa por um ciclo de aproximadamente 11 anos, durante o qual seu campo magnético inverte a polaridade e o número de manchas solares aumenta até atingir um pico antes de voltar a diminuir.

As manchas solares são regiões de intensa atividade magnética capazes de gerar erupções solares e ejeções de massa coronal. Esses fenômenos lançam partículas carregadas ao espaço e podem provocar tempestades geomagnéticas que interferem no funcionamento de satélites, sistemas de navegação, comunicações por rádio e redes elétricas.

Até agora, as previsões sobre a intensidade de um novo ciclo solar eram feitas principalmente quando o Sol se aproximava do chamado mínimo solar, período de menor atividade. O novo método permite antecipar essa estimativa porque utiliza um estágio anterior do ciclo, oferecendo um período maior de antecedência para as previsões.

Segundo os pesquisadores, o número de manchas solares observado nesse momento apresenta uma relação direta com a intensidade máxima do ciclo seguinte.

O que é o ponto de 'desligamento' do Sol?

O estudo identificou um estágio específico do ciclo solar em que os eventos mais extremos do clima espacial deixam de ocorrer de forma repentina. Os pesquisadores chamaram esse momento de "ponto de desligamento".

Segundo a equipe, essa fase ocorre quando as regiões com manchas solares migram para latitudes inferiores a aproximadamente 15 graus em relação ao equador do Sol.

Nessa região, a diferença entre as velocidades de rotação das diferentes partes da estrela diminui. Com isso, o mecanismo que distorce o campo magnético solar perde força, reduzindo a formação das ejeções de massa coronal mais energéticas, responsáveis pelas tempestades solares mais intensas.

Após esse ponto, a atividade solar continua, mas os eventos extremos passam a ser menos frequentes.

O que esperar do próximo ciclo solar?

Com base na nova técnica, os pesquisadores fizeram uma primeira estimativa para o Ciclo Solar 26, que sucederá o atual Ciclo Solar 25.

Os cálculos indicam que o próximo ciclo poderá atingir entre 100 e 120 manchas solares, o que sugere uma atividade moderada, semelhante ou possivelmente inferior à observada no ciclo atual.

Os autores ressaltam, no entanto, que essa ainda é uma projeção preliminar. Como o Ciclo Solar 25 só deverá atingir o ponto de "desligamento" dentro de aproximadamente dois anos, a previsão definitiva ainda dependerá de observações diretas desse momento.

Segundo a equipe, quando esse marco for alcançado, será possível produzir uma estimativa mais precisa mantendo, ainda assim, cerca de sete anos de antecedência em relação ao pico do próximo ciclo.

Método já antecipou o comportamento do ciclo atual

Os pesquisadores afirmam que versões anteriores desse modelo já haviam indicado que o Ciclo Solar 25 seria mais intenso do que sugeriam diversas previsões feitas anteriormente. Essa estimativa acabou sendo confirmada.

Em 2024, durante o período de máxima atividade do ciclo, ocorreram algumas das tempestades geomagnéticas mais fortes registradas nas últimas duas décadas, produzindo auroras boreais visíveis em regiões incomuns do Reino Unido.

Além de ampliar o tempo disponível para prever tempestades solares, a nova técnica também poderá ajudar os cientistas a compreender melhor o funcionamento do dínamo solar, mecanismo responsável pela geração e manutenção do campo magnético do Sol.

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