Ciência

Sarcófago romano de 5 toneladas é encontrado intacto após mais de 1.500 anos

Descoberta ocorreu durante escavações em Cavtat, na Croácia, na área da antiga cidade romana de Epidaurum

Descoberta ocorreu durante escavações em Cavtat, na Croácia, na área da antiga cidade romana de Epidaurum (Muzeji i galerije Konavala/Reprodução)

Descoberta ocorreu durante escavações em Cavtat, na Croácia, na área da antiga cidade romana de Epidaurum (Muzeji i galerije Konavala/Reprodução)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 21 de julho de 2026 às 16h42.

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Um sarcófago romano de cerca de 5 toneladas, que permaneceu fechado por mais de 1.500 anos, foi localizado em Cavtat, na Croácia, na área onde existiu a antiga cidade de Epidaurum. O monumento funerário apareceu durante escavações arqueológicas preventivas realizadas no sítio de Zorina 8 e permanecia no ponto original do sepultamento, sem evidências de saque, abertura ou deslocamento posterior.

A descoberta ocorreu a aproximadamente 3 metros de profundidade, em uma área de necrópole, espaço destinado a sepultamentos na Antiguidade. Durante a investigação do terreno, os arqueólogos identificaram diferentes túmulos, entre os quais estava a estrutura de pedra.

A tampa do sarcófago continuava vedada com argamassa de cal, condição que preservou o contexto do sepultamento desde a Antiguidade Tardia. A ausência de sinais de abertura permite que os materiais encontrados no interior sejam analisados dentro de sua disposição funerária original.

Cavtat fica na costa do Adriático e ocupa uma região que, durante o período romano, pertenceu a Epidaurum, colônia integrada à província da Dalmácia. Vestígios de ocupação antiga encontrados no local ajudam a documentar a presença romana e as práticas adotadas pela população que viveu nessa parte do litoral.

Sarcófago é datado entre os séculos 4 e 6 d.C.

Os pesquisadores situam o sarcófago entre os séculos 4 e 6 d.C., período marcado pela transição entre diferentes fases do mundo romano. O monumento foi classificado como pertencente ao tipo Salona, associado às oficinas de Salona, que foi capital da província romana da Dalmácia.

Essa classificação fornece elementos para estudos sobre a produção e a circulação de monumentos funerários no litoral do Adriático. Características da peça podem ser comparadas a outros exemplares para identificar relações entre centros de produção e locais onde esses objetos foram utilizados.

A preservação do sarcófago também está relacionada ao fato de a estrutura ter permanecido fechada por mais de 1.500 anos. A vedação original continuava presente, o monumento permanecia em sua posição inicial e não foram identificados sinais claros de intervenções modernas ou violações anteriores.

Restos humanos foram encontrados no interior

A abertura exigiu que a equipe registrasse previamente a posição, a estrutura e as características da vedação. Somente depois dessa documentação a tampa foi removida para permitir a investigação da câmara funerária.

No interior, os arqueólogos encontraram restos de uma única pessoa, embora o esqueleto apresentasse estado limitado de preservação. Materiais orgânicos e depósitos presentes no túmulo também foram recolhidos para análises laboratoriais.

Os estudos desses vestígios podem fornecer informações sobre o indivíduo enterrado e sobre as práticas funerárias adotadas na costa dálmata durante os últimos séculos do domínio romano. O contexto preservado permite relacionar os materiais à disposição original do sepultamento.

Remoção de peça de 5 toneladas exigiu operação especializada

O peso do sarcófago demandou uma operação que reuniu profissionais de diferentes áreas. Arqueólogos, antropólogos, conservadores, restauradores, topógrafos e fotógrafos participaram dos procedimentos de documentação e retirada.

Antes do transporte, a equipe registrou a localização da estrutura, produziu imagens e mapeou o monumento. Bordas, tampa e superfícies precisaram ser protegidas, enquanto equipamentos de içamento permitiram movimentar a peça sem comprometer evidências associadas ao túmulo.

Esse procedimento busca preservar marcas, encaixes, resíduos e outros elementos que podem contribuir para a interpretação arqueológica. Em achados desse tipo, a posição dos objetos e sua relação com o ambiente do sepultamento também fazem parte das informações analisadas pelos pesquisadores.

Achado amplia registros arqueológicos de Epidaurum

A antiga Epidaurum ocupava uma área costeira ligada às rotas do Adriático. Sua localização favorecia contatos com outras regiões do mundo romano por meio da circulação de pessoas, mercadorias e práticas culturais.

Sepultamentos, estruturas arquitetônicas e objetos encontrados em Cavtat ajudam a reconstruir aspectos dessa ocupação. No caso do sarcófago, o fato de o túmulo ter permanecido sem violações preservou informações sobre a forma como o sepultamento foi organizado e fechado.

Após as escavações, o sarcófago foi transferido para uma área pública próxima ao Mausoléu da Família Račić e ao Cemitério de São Roque, em Cavtat. A peça permanece disponível para observação enquanto os materiais recolhidos durante a escavação seguem como objeto de investigação arqueológica.

As análises dos restos humanos, dos materiais orgânicos e dos depósitos encontrados no interior poderão fornecer novos dados sobre o sepultamento e as práticas funerárias adotadas em Epidaurum há mais de 1.500 anos.

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