Operação Sem Desconto: PF investiga um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS (Divulgação / Agência Brasil)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 21 de julho de 2026 às 17h28.
A Polícia Federal (PF) cumpriu, nesta terça-feira, 21, um mandado de busca e apreensão contra o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", no Distrito Federal.
A ação faz parte de uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Durante a operação, os agentes apreenderam três veículos pertencentes ao investigado, sendo dois carros de luxo e um automóvel de coleção. A ordem judicial foi expedida pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a Polícia Federal, a medida tem como objetivo descapitalizar um dos principais investigados e restringir seu acesso a recursos financeiros. Além das fraudes relacionadas aos benefícios previdenciários, a corporação apura supostos crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário, ocultação e dilapidação patrimonial.
Em nota, os advogados de Antunes afirmaram que a própria defesa comunicou às autoridades, ainda em outubro de 2025, a existência e a localização dos veículos. Segundo os representantes do empresário, os bens permaneceram à disposição da Polícia Federal desde então para eventual apreensão.
Antonio Antunes já havia sido indiciado no primeiro inquérito concluído da investigação, que trata de irregularidades envolvendo a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), uma das entidades investigadas pela PF.
Na semana passada, a corporação concluiu um dos braços da apuração e indiciou 48 pessoas por participação em um esquema que teria desviado mais de R$ 708 milhões de aposentados e pensionistas do INSS.
Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, o ex-procurador do instituto Virgílio Antonio Ribeiro de Oliveira Filho, o ex-diretor de Benefícios e ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira e o ex-deputado Euclydes Pettersen.
De acordo com a investigação, os recursos descontados dos benefícios previdenciários ingressavam inicialmente nas contas da Conafer e, em seguida, eram transferidos para empresas de fachada ligadas aos operadores financeiros do esquema. A Polícia Federal afirma que parte dos valores teria sido utilizada para enriquecimento ilícito e para o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos e políticos.
Segundo a Polícia Federal, entidades firmavam acordos de cooperação com o INSS para efetuar descontos mensais diretamente na folha de pagamento dos beneficiários, muitas vezes sem consentimento válido.
Auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) identificaram indícios de filiações irregulares e autorizações obtidas de forma fraudulenta. As investigações sobre outras entidades e núcleos do esquema seguem em andamento em procedimentos separados.
A PF também revelou que integrantes da organização utilizavam apelidos para se referir a ex-dirigentes do INSS em mensagens internas. Conforme a investigação, Alessandro Stefanutto era chamado de "Italiano", o ex-diretor André Fidelis de "Herói A", e o ex-procurador Virgílio Oliveira Filho de "Herói V".
Em nota, a Conafer afirmou que respeita o trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário, mas destacou que o indiciamento representa uma manifestação produzida durante a fase de investigação.