Ciência

Nasa planeja compra de foguetes para construir base de US$ 30 bilhões na Lua

Agência americana busca garantir lançamentos para transportar até 60 toneladas de equipamentos à superfície lunar a partir de 2029

Nasa planeja comprar até cinco tipos de foguetes para levar cargas à Lua (Paul Hennesy/Anadolu via Getty Images)

Nasa planeja comprar até cinco tipos de foguetes para levar cargas à Lua (Paul Hennesy/Anadolu via Getty Images)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 6 de outubro de 2026 às 10h38.

Última atualização em 6 de outubro de 2026 às 10h56.

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A agência espacial americana Nasa prepara uma compra em grande escala de diferentes foguetes para atender ao projeto de US$ 30 bilhões de uma base permanente na Lua e deve anunciar as primeiras aquisições em breve. O plano prevê enviar módulos de pouso e rovers até 2028 e transportar até 60 toneladas métricas de equipamentos à superfície lunar a partir de 2029.

A Nasa prepara uma compra em grande escala de foguetes para atender às próximas etapas de seu projeto de US$ 30 bilhões para estabelecer uma base permanente na Lua. A estratégia busca assegurar capacidade de lançamento para o transporte de equipamentos, módulos e veículos necessários à construção da infraestrutura lunar.

A agência americana avalia adquirir diferentes modelos de foguetes em um momento no qual a demanda por lançamentos cresce e a disponibilidade de veículos pode se tornar uma restrição para missões espaciais. A intenção é contar com mais de uma alternativa para transportar cargas até a superfície lunar.

"Estamos avaliando a possibilidade de a Nasa realizar compras em grande quantidade de veículos lançadores capazes de atender a todas as necessidades da base lunar", afirmou Carlos García-Galán, gerente do programa de base lunar da Nasa, em entrevista à Bloomberg.

Segundo o executivo, a agência deve divulgar em breve o primeiro conjunto de aquisições.

A estratégia está ligada ao cronograma previsto para a construção da base. Na primeira etapa, já em desenvolvimento, a Nasa pretende enviar módulos de pouso e rovers, veículos de exploração utilizados na superfície de outros corpos celestes, para identificar locais e recursos na Lua até 2028.

A necessidade de capacidade de transporte aumenta a partir de 2029. Nessa fase, a agência prevê levar até 60 toneladas métricas de equipamentos à superfície lunar. A carga será destinada à instalação de sistemas de energia, habitats e outras estruturas necessárias para a permanência humana no satélite.

Disponibilidade do Falcon 9 entra nos planos da Nasa

Parte da estratégia considera uma possível redução da disponibilidade do Falcon 9, da SpaceX. O foguete concentra parte dos lançamentos realizados atualmente nos Estados Unidos e também atende operadores comerciais de satélites.

Segundo a Bloomberg, a SpaceX começou a recusar pedidos de operadores interessados em contratar lançamentos dedicados do Falcon 9 para períodos posteriores a 2028. Uma redução da oferta desse foguete e do Falcon Heavy, sua versão de maior capacidade, afetaria as opções disponíveis para as missões lunares da Nasa.

"Estamos cientes do problema que se aproxima; sabemos disso agora", disse García-Galán. "A SpaceX tem sido transparente quanto aos seus planos, o que nos dá a opção de buscar alternativas — e é isso que temos feito."

A SpaceX não apresentou publicamente um cronograma para o encerramento do programa Falcon.

Uma das possibilidades analisadas pela Nasa envolve contratar quatro ou cinco modelos diferentes de foguetes em uma mesma rodada. Cada veículo poderia ser associado a um módulo comercial de pouso necessário para transportar cargas até a superfície lunar.

Caso exista capacidade disponível após a contratação, a Nasa também poderia oferecer o espaço restante a outras organizações, inclusive agências governamentais interessadas em enviar cargas à Lua.

García-Galán não informou quais foguetes estão sob avaliação nem confirmou se Falcon 9 e Falcon Heavy poderiam integrar o pacote de compras.

Alternativas ao Falcon 9 ainda têm limitações operacionais

Entre os foguetes disponíveis nos Estados Unidos estão o New Glenn, da Blue Origin, e o Vulcan, da United Launch Alliance. Segundo as informações fornecidas, o New Glenn está com operações suspensas desde maio após uma explosão na plataforma de lançamento, enquanto o Vulcan não realiza voos desde fevereiro devido a problemas em seus boosters, propulsores auxiliares utilizados para fornecer impulso durante o lançamento.

"Não há ninguém, neste momento, em condições de substituir adequadamente o Falcon 9; ponto final", afirmou Caleb Henry, diretor de pesquisa da empresa de análise Quilty Space.

A disponibilidade desses veículos também depende de contratos já firmados. New Glenn e Vulcan estão associados a dezenas de missões para a constelação de satélites de órbita baixa da Amazon. Os dois foguetes também possuem contratos relacionados ao lançamento de satélites de segurança nacional para as Forças Armadas dos Estados Unidos.

Outros projetos devem ampliar a quantidade de veículos disponíveis nos próximos anos. A lista inclui o Neutron, da Rocket Lab; o Terran R, da Relativity Space; o Eclipse, da Firefly Aerospace; e o Nova, da Stoke Space.

A questão para o planejamento da Nasa está no prazo necessário para que novos foguetes alcancem uma frequência regular de lançamentos. A agência precisará dessa capacidade principalmente a partir de 2029.

"A regra geral para novos veículos de lançamento é que eles costumam ter dificuldade em realizar, em média, mais de três lançamentos por ano durante seus primeiros cinco anos de operação", disse Henry.

Starship também aparece entre as possibilidades

O Starship, sistema de transporte espacial de próxima geração desenvolvido pela SpaceX, representa outra alternativa para as missões lunares. O veículo, porém, ainda precisa superar etapas técnicas antes de realizar operações nas proximidades da Lua.

A SpaceX desenvolve uma versão do Starship destinada ao transporte de astronautas até a superfície lunar. Ainda não há definição sobre a disponibilidade do veículo para missões exclusivamente de carga nem sobre o ritmo que a empresa poderá alcançar para esse tipo de lançamento.

A compra antecipada de foguetes busca ampliar as opções da Nasa caso empresas responsáveis pelo desenvolvimento de módulos de pouso e rovers encontrem restrições para contratar seus próprios lançamentos.

Segundo García-Galán, a agência procura manter uma política de não interferência nas decisões dos parceiros comerciais sobre os veículos utilizados. A contratação de capacidade adicional, porém, permitiria disponibilizar foguetes caso esses fornecedores precisem de alternativas para cumprir as missões previstas.

"Trata-se, basicamente, de maximizar nossa flexibilidade e capacidade de buscar diferentes opções para obter sucesso", afirmou García-Galán.

'Perguntas frequentes'

Por que a Nasa pretende comprar foguetes em grande escala? +

A Nasa pretende assegurar capacidade para transportar equipamentos, módulos e veículos necessários à construção de uma base permanente na Lua. Segundo Carlos García-Galán, gerente do programa de base lunar da agência, a estratégia busca ampliar a flexibilidade diante de possíveis restrições na oferta de lançamentos.

Quando a Nasa começará a enviar equipamentos para a base lunar? +

A Nasa pretende enviar módulos de pouso e rovers à Lua até 2028 para identificar locais e recursos. A partir de 2029, a agência prevê transportar até 60 toneladas métricas de equipamentos destinados a sistemas de energia, habitats e outras estruturas.

Por que a disponibilidade do Falcon 9 preocupa a Nasa? +
Quais foguetes podem ser contratados pela Nasa? +

A Nasa avalia contratar quatro ou cinco modelos diferentes de foguetes em uma mesma rodada, mas Carlos García-Galán não revelou quais veículos estão sob análise. Entre os foguetes disponíveis ou em desenvolvimento nos Estados Unidos estão New Glenn, Vulcan, Neutron, Terran R, Eclipse e Nova.

New Glenn e Vulcan podem substituir o Falcon 9? +
O Starship poderá ser usado nas missões lunares da Nasa? +
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