Ciência

Com 1,4 toneladas, telescópio da Nasa pode cair na Terra após missão de resgate fracassar

Lançado em 2004, Swift perde altitude e se aproxima do fim de uma missão de quase 22 anos no espaço

Swift: observatório da Nasa perde altitude após quase 22 anos no espaço (Divulgação/Nasa)

Swift: observatório da Nasa perde altitude após quase 22 anos no espaço (Divulgação/Nasa)

Publicado em 2 de outubro de 2026 às 19h30.

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Um dos principais observatórios espaciais da Nasa pode estar a poucas semanas de encerrar sua missão e cair em direção à Terra. O Observatório Neil Gehrels Swift, lançado em 2004, perde altitude e deve reentrar na atmosfera depois que uma tentativa de elevar sua órbita não conseguiu atingir o objetivo.

Atualmente, o Swift está a cerca de 325 quilômetros da Terra. Segundo comunicado da Nasa, operar o telescópio ficará mais difícil quando ele atingir altitudes inferiores a 300 quilômetros, o que pode ocorrer no início ou em meados de outubro.

A expectativa é que o observatório, que pesa cerca de 1.452 quilos, saia de órbita e se desintegre durante a reentrada na atmosfera.

A empresa de rastreamento espacial LeoLabs afirmou à CNN que alguns componentes podem sobreviver à queda, mas considera muito pequena a possibilidade de causarem danos significativos ou ferirem alguém. O cenário mais provável é que eventuais destroços caiam no oceano ou em regiões desabitadas.

Por que o observatório Swift está caindo?

O Swift vinha perdendo altitude gradualmente devido ao arrasto atmosférico. O fenômeno foi intensificado pelo aumento da atividade solar nos últimos dois anos, período relacionado ao pico do ciclo de aproximadamente 11 anos do Sol em 2024.

Erupções solares e ejeções de massa coronal fizeram a atmosfera terrestre se expandir, aumentando o arrasto sobre o observatório e acelerando sua perda de altitude.

Sem uma intervenção, a Nasa já previa que o Swift reentraria na atmosfera terrestre até o final de 2026.

Como a NASA tentou salvar o Swift?

Para tentar prolongar a missão, a agência espacial internacional apostou em uma operação inédita. Um satélite chamado LINK, desenvolvido pela Katalyst Space Technologies em apenas nove meses, deveria se aproximar do Swift, capturá-lo e elevar sua órbita.

A missão, porém, enfrentou problemas poucas semanas após o lançamento do LINK, no início de julho. O satélite perdeu o controle de orientação no espaço. Os engenheiros conseguiram reduzir sua rotação inesperada utilizando os propulsores e instalaram um novo software de voo. A manobra, entretanto, consumiu parte importante do propelente disponível.

Com combustível insuficiente para realizar com segurança a captura e a elevação da órbita do Swift, a Nasa e a Katalyst abandonaram o plano original.

Missão virou teste para futuros resgates espaciais

Mesmo sem conseguir salvar o observatório, a missão do LINK continuou como uma demonstração tecnológica. No início de setembro, o satélite chegou a uma distância entre 12 e 15 quilômetros do Swift.

A aproximação permitiu testar técnicas que poderão ser usadas em futuras missões de manutenção de satélites e telescópios que não foram projetados para receber assistência no espaço.

O LINK também acionou os três braços robóticos originalmente desenvolvidos para agarrar o observatório e testou seus três propulsores elétricos. Segundo a Katalyst, o satélite permaneceu em operação durante 85 dias antes de reentrar na atmosfera terrestre em 25 de setembro.

Apesar de não ter conseguido elevar o Swift, a Nasa considera que a missão permitiu testar tecnologias de manutenção de espaçonaves, operações em prazos reduzidos e técnicas para prolongar a permanência de equipamentos em órbita baixa da Terra.

A Katalyst também pretende utilizar os dados obtidos na missão para desenvolver uma nova geração de espaçonaves destinadas a prestar suporte a equipamentos que já estão no espaço.

Swift observa o Universo desde 2004

O Observatório Neil Gehrels Swift está em órbita baixa da Terra desde novembro de 2004 e não possui atualmente um substituto observacional estabelecido. O telescópio foi desenvolvido originalmente para estudar explosões de raios gama, alguns dos eventos mais energéticos do Universo.

Uma das características do Swift é sua capacidade de mudar rapidamente de direção para observar fenômenos cósmicos de curta duração. Ao longo de quase 22 anos, o equipamento também foi utilizado para acompanhar erupções associadas a buracos negros, outros tipos de clarões cósmicos, asteroides e cometas.

Nos últimos meses, instrumentos do Swift chegaram a ser desligados para reduzir o consumo de energia e ajudar a retardar sua descida. Agora, os cientistas estão religando gradualmente os equipamentos para aproveitar as últimas oportunidades de observação antes do encerramento da missão. A retomada das operações, porém, aumenta o consumo de energia e acelera o declínio orbital do observatório.

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