Borboletas: estudo mostra que mudanças climáticas estão alterando o habitat de milhares de espécies (Freepik)
Redatora
Publicado em 7 de agosto de 2026 às 08h30.
As mudanças climáticas estão alterando a distribuição de borboletas em todo o mundo. Um estudo publicado na revista Nature Ecology & Evolution identificou que mais de 1.700 espécies já passaram a ocupar áreas diferentes das registradas anteriormente, um reflexo do aumento das temperaturas, dos eventos climáticos extremos e da transformação dos habitats naturais.
Para os resultados, a pesquisa analisou dados de 105 países e concluiu que quase uma em cada dez espécies conhecidas de borboletas já mudou sua área de ocorrência. Segundo os pesquisadores, trata-se do levantamento mais abrangente já realizado sobre o tema.
O estudo, liderado por Shawan Chowdhury, da Universidade Monash, na Austrália, reuniu informações de pesquisas realizadas em diversos idiomas, incluindo análises conduzidas em regiões tropicais, onde vive cerca de 90% das espécies de borboletas do mundo.
Os cientistas verificaram que, em 32 países, pelo menos 25% das espécies nativas deixaram de ocupar parte de suas áreas históricas. Em 10 desses países, mais da metade das espécies apresentou mudanças na distribuição.
Segundo Chowdhury, as borboletas estão mudando seus habitats em praticamente todos os continentes onde ocorrem.
Os pesquisadores identificaram que, em 79% dos casos, as mudanças climáticas e os eventos climáticos extremos foram os principais responsáveis pelas alterações na distribuição das espécies. A perda de habitat, a expansão da agricultura e outras atividades humanas também contribuíram para esse processo.
As borboletas são consideradas especialmente sensíveis às alterações ambientais. Quando as temperaturas aumentam ou áreas naturais são substituídas por cidades ou plantações, muitas espécies precisam migrar em busca de condições mais favoráveis.
O estudo mostrou que os impactos não ocorrem da mesma forma para todas as espécies. Cerca de 80% das borboletas analisadas expandiram sua distribuição geográfica, colonizando regiões onde antes não conseguiam sobreviver.
Um dos exemplos é a borboleta-costeira-fulva, originalmente encontrada na Índia, Bangladesh e Sri Lanka, mas que nas últimas décadas passou a ocorrer também na Austrália.
Por outro lado, 27% das espécies tiveram redução em sua área de distribuição. Entre elas está a pequena-borboleta-azul, da Grã-Bretanha, cuja área de ocorrência diminuiu mais de 40% desde 1983.
Especialistas afirmam que as borboletas são importantes bioindicadores, pois respondem rapidamente às alterações ambientais. Chris Grinter, da Academia de Ciências da Califórnia, compara as espécies aos "canários na mina de carvão": quando elas mudam de comportamento ou desaparecem, isso pode indicar transformações profundas nos ecossistemas.
Os autores destacam que a migração faz parte da adaptação natural das borboletas, mas alertam que a velocidade das mudanças ambientais pode superar a capacidade de resposta de muitas espécies.
Eles defendem o fortalecimento do monitoramento global e de ações de conservação tanto nas áreas onde as borboletas vivem atualmente quanto nos locais para onde estão migrando. Entre as medidas que podem ajudar estão o plantio de espécies vegetais nativas, a preservação de áreas verdes e o registro de observações de borboletas em plataformas de ciência cidadã, contribuindo para acompanhar as mudanças na biodiversidade ao longo do tempo.