Ciência

Meteorito que matou os dinossauros pode finalmente ter sido identificado

Análise inédita indica que o asteroide tinha uma composição rara, mudando o entendimento sobre a extinção em massa

Dinossauros: pesquisa revela novas pistas sobre o impacto de Chicxulub (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Dinossauros: pesquisa revela novas pistas sobre o impacto de Chicxulub (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Publicado em 21 de julho de 2026 às 06h40.

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O asteroide que atingiu a Terra há cerca de 66 milhões de anos e provocou a extinção de aproximadamente 75% das espécies, incluindo os dinossauros não aviários, era um tipo extremamente raro de meteorito. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Science Advances, na última sexta-feira, 17, que identificou o impactor como um condrito carbonáceo da classe Ornans (CO), um dos materiais mais primitivos conhecidos do Sistema Solar.

A pesquisa, liderada por cientistas da Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), do Institut de Physique du Globe de Paris, da Vrije Universiteit Brussel e da Universidade de Viena, analisou isótopos de níquel preservados em sedimentos formados após o impacto que marcou o fim do período Cretáceo.

Como os cientistas identificaram o meteorito

Para identificar a composição do objeto, os pesquisadores estudaram uma fina camada de argila encontrada em diferentes partes do mundo e depositada logo após o impacto.

Embora quase todo o meteorito tenha vaporizado ao atingir a Terra, pequenas quantidades de material permaneceram preservadas. A equipe utilizou medições de alta precisão dos isótopos de níquel presentes nessas amostras e conseguiu associar sua assinatura química aos condritos CO.

Segundo os autores, esses meteoritos representam apenas uma pequena fração dos condritos carbonáceos, grupo que corresponde a cerca de 5% dos meteoritos conhecidos na Terra.

Poeira pode ter sido mais importante que o enxofre

Além de identificar a natureza do impactor, o estudo também traz uma nova interpretação sobre o mecanismo que levou à extinção em massa. Os condritos CO possuem concentrações relativamente baixas de elementos voláteis, como enxofre, carbono, água e zinco.

Por isso, os pesquisadores sugerem que o enxofre presente no próprio meteorito provavelmente não foi o principal responsável pelas mudanças climáticas que ocorreram após a colisão.

Em vez disso, a enorme quantidade de poeira e detritos finos lançados na atmosfera pode ter desempenhado um papel dominante ao bloquear a luz solar e provocar um resfriamento global, afetando ecossistemas em todo o planeta.

Segundo Philippe Claeys, um dos autores do estudo, essa descoberta não altera a teoria de que o impacto desencadeou a extinção dos dinossauros, mas ajuda a compreender quais mecanismos foram mais importantes durante o processo.

De onde veio o asteroide?

A origem exata do meteorito ainda não foi determinada. Os pesquisadores acreditam que ele pode ter vindo de uma região distante do Sistema Solar, rica em pequenos corpos rochosos, ou da parte externa do cinturão de asteroides, próximo à órbita de Júpiter.

Os condritos CO são considerados alguns dos materiais mais antigos e menos alterados desde a formação do Sistema Solar, o que reforça a raridade do objeto que atingiu a Terra.

O impacto que mudou a história da vida

De acordo com as análises, o asteroide tinha entre 10 e 15 quilômetros de diâmetro e colidiu com o planeta a cerca de 64 mil quilômetros por hora.

A colisão formou a cratera de Chicxulub, atualmente soterrada sob a Península de Yucatán, no México, e desencadeou uma das maiores extinções em massa da história da Terra.

Para os pesquisadores, identificar a natureza desse objeto ajuda a reconstruir os eventos que transformaram a evolução da vida no planeta e oferece novas pistas sobre a origem dos grandes impactores que circulam pelo Sistema Solar.

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