Ciência

Adeus aos implantes? Cientistas estão mais perto de regenerar dentes humanos

Pesquisas com células-tronco e bioengenharia podem transformar a forma de tratar perdas dentárias e cáries no futuro

Dentes: cientistas desenvolvem alternativas biológicas a implantes e obturações (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Dentes: cientistas desenvolvem alternativas biológicas a implantes e obturações (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Publicado em 21 de julho de 2026 às 06h00.

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A possibilidade de regenerar dentes humanos em vez de recorrer a obturações, coroas ou implantes está cada vez mais próxima de se tornar realidade. Equipes de diferentes universidades desenvolvem técnicas de odontologia regenerativa capazes de estimular a formação de novos tecidos dentários e, no futuro, até mesmo de dentes completos cultivados a partir de células.

As informações foram reunidas por pesquisas conduzidas na Universidade de Washington, no King's College London, na Universidade Tufts e na Universidade de Illinois, e destacadas pela BBC.

Embora os resultados ainda estejam em fase experimental, os avanços indicam que essa abordagem poderá transformar o tratamento da perda dentária e das cáries nas próximas décadas.

Como a regeneração de dentes funciona?

Ao contrário dos tratamentos convencionais, que substituem áreas danificadas por materiais artificiais, a odontologia regenerativa busca restaurar os tecidos naturais do próprio dente.

Para isso, os cientistas utilizam células-tronco, proteínas ligadas à formação dentária e biomateriais capazes de reproduzir o ambiente necessário para o crescimento dessas estruturas. O objetivo é estimular a produção de esmalte e dentina, permitindo que o organismo repare lesões ou, futuramente, forme um novo dente.

Segundo Hannele Ruohola-Baker, diretora associada do Instituto de Células-Tronco e Medicina Regenerativa da Universidade de Washington, cresce a procura por alternativas capazes de substituir os tratamentos odontológicos atuais.

O que a ciência já conseguiu desenvolver?

Uma das linhas de pesquisa concentra-se na criação das chamadas "obturações vivas". A equipe conseguiu transformar células-tronco em células produtoras de esmalte e dentina. Em laboratório, elas foram organizadas em um organoide dentário capaz de produzir proteínas essenciais para a formação do esmalte.

A expectativa é que essas proteínas possam, no futuro, reparar dentes danificados ou integrar novas terapias baseadas na regeneração dos tecidos.

Outra estratégia busca cultivar dentes completos em laboratório. No King's College London, pesquisadores desenvolvem organoides que reproduzem as primeiras etapas da formação dentária e estudam como orientar esse processo até obter uma estrutura funcional.

Os avanços também incluem experimentos em modelos animais. Na Universidade Tufts, cientistas produziram estruturas semelhantes a dentes em miniporcos utilizando células humanas e células dentárias obtidas de porcos.

Já no King's College London, outra equipe criou estruturas híbridas com células do tecido gengival humano e células formadoras de dentes de camundongos, demonstrando que é possível iniciar esse processo em laboratório.

Esses estudos ajudam a compreender os mecanismos biológicos envolvidos na formação dos dentes e servem de base para futuras aplicações em humanos.

Por que dentes regenerados podem substituir implantes?

Atualmente, quando um dente é perdido, uma das principais opções é o implante dentário. Apesar de ser um tratamento consolidado, ele apresenta limitações.

O implante não reproduz completamente as características de um dente natural, não possui nervos responsáveis pela percepção da mastigação e pode desenvolver complicações, como infecções ao redor da estrutura implantada.

Além disso, as coroas artificiais normalmente precisam ser substituídas após alguns anos de uso.  Na avaliação dos especialistas, dentes regenerados biologicamente poderão integrar-se de forma mais natural ao organismo e oferecer uma solução mais duradoura.

Apesar dos avanços, a tecnologia ainda está distante da prática clínica. Antes que esses tratamentos possam chegar aos pacientes, será necessário realizar novos estudos em animais, desenvolver métodos seguros para controlar o crescimento dos tecidos e, posteriormente, iniciar ensaios clínicos em humanos.

Os cientistas também trabalham no aperfeiçoamento de biomateriais capazes de reproduzir o ambiente ideal para que uma nova estrutura dentária se desenvolva corretamente dentro da boca.

O que essa tecnologia pode mudar na odontologia?

Além de criar alternativas às obturações e aos implantes, a odontologia regenerativa pode mudar a forma como as doenças bucais são tratadas.

Em vez de reparar danos com materiais sintéticos, a proposta é estimular a recuperação dos próprios tecidos do organismo, preservando a estrutura e a função natural dos dentes.

Os conhecimentos obtidos nessas pesquisas também poderão contribuir para o desenvolvimento de terapias regenerativas voltadas a outros órgãos e tecidos do corpo.

Embora ainda não exista previsão para que essas técnicas cheguem aos consultórios, os especialistas consideram que os resultados obtidos até agora reforçam o potencial da medicina regenerativa para transformar a odontologia nas próximas décadas.

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