Dinossauro de quatro asas: achado na China pode explicar misteriosos fósseis de aves pré-históricas (Imagem gerada por IA/EXAME)
Redatora
Publicado em 28 de junho de 2026 às 06h53.
Um dinossauro emplumado de quatro asas descoberto na China pode ajudar paleontólogos a solucionar um enigma que intriga pesquisadores há anos. A nova espécie, batizada de Jian changmaensis, foi identificada em uma região conhecida por abrigar centenas de fósseis de aves primitivas e pode ter sido um dos principais predadores desses animais há cerca de 120 milhões de anos.
A descoberta foi descrita por pesquisadores do Museu Field, em Chicago, em estudo publicado nos Proceedings of the Carnegie Museum. Segundo os cientistas, o fóssil ajuda a reconstruir o ecossistema que existia durante o Cretáceo Inferior e revela novas informações sobre a convivência entre as primeiras aves e seus parentes dinossauros.
Há décadas, pesquisadores encontravam na Bacia de Changma, no noroeste da China, grandes concentrações de ossos fragmentados de aves pré-históricas.
Os agrupamentos lembravam pelotas regurgitadas por corujas modernas após a digestão de suas presas, sugerindo que algum predador estivesse capturando essas aves. No entanto, nenhum candidato convincente havia sido encontrado até agora.
Segundo os autores do estudo, Jian changmaensis é atualmente a melhor explicação para esse fenômeno. O animal é o único dinossauro não aviário identificado no local, era carnívoro e possuía porte maior do que as aves encontradas na região.
A nova espécie pertence ao grupo dos dromaeossaurídeos, o mesmo do famoso Velociraptor. Dentro desse grupo, ela faz parte dos chamados microraptores, pequenos dinossauros emplumados que possuíam penas longas tanto nos braços quanto nas pernas. Essa característica lhes conferia a aparência de quatro asas.
Embora não fossem capazes de realizar voos sustentados como as aves modernas, os microraptores provavelmente utilizavam essas estruturas para planar entre árvores ou atravessar pequenas distâncias.
Os pesquisadores estimam que Jian changmaensis tinha uma envergadura próxima de 1,2 metro, semelhante à de uma coruja-das-torres atual.
A Bacia de Changma é considerada um dos mais importantes sítios fossilíferos para o estudo da evolução das aves.
Mais de uma centena de fósseis de aves primitivas já foram encontrados na região, mas o novo dinossauro representa o primeiro predador não aviário identificado nesse ecossistema.
Para os cientistas, sua presença ajuda a preencher uma lacuna importante na compreensão das relações ecológicas que existiam entre predadores e presas durante o período em que as aves ainda estavam diversificando suas formas de vida.
As aves modernas são os únicos dinossauros sobreviventes após a extinção em massa ocorrida há cerca de 66 milhões de anos. Por isso, compreender como seus ancestrais viviam e interagiam com outros dinossauros é considerado fundamental para entender o sucesso evolutivo do grupo.
Segundo os pesquisadores, a descoberta de Jian changmaensis oferece uma nova perspectiva sobre os ecossistemas do Cretáceo e sobre os desafios enfrentados pelas primeiras aves durante sua evolução.
Além de revelar um possível predador dessas espécies primitivas, o fóssil reforça a diversidade dos dinossauros emplumados que coexistiam com os ancestrais das aves atuais muito antes da extinção dos dinossauros.