Territory: o único carro bom, e não ótimo ou excelente (Divulgação)
Colunista
Publicado em 21 de julho de 2026 às 06h38.
Passados cinco anos do fim da produção de veículos no Brasil, a Ford atravessa sua melhor fase no Brasil. Enxuta, sua linha de produtos é uma das mais originais e atraentes do mercado, indo das melhores picapes do segmento ao ícone Mustang.
Só quem destoa é o Territory – o único carro bom, e não ótimo ou excelente, como os demais da gama.
Vendido apenas na versão Titanium, de R$ 219,9 mil, o SUV médio é equipado com motor 1.5 turbo a gasolina e câmbio automatizado de sete marchas e embreagem dupla banhada a óleo.
Espaço interno e lista de equipamentos são seus pontos fortes. Dentro dos 4,68 metros de comprimento, os 2,73 m de entre-eixos garantem aos passageiros de trás mais conforto do que os queridinhos do segmento, Jeep Compass (2,63 m) e Toyota Corolla Cross (2,64 m). O porta-malas comporta 448 litros, podendo chegar a 1.422 l com os bancos traseiros rebatidos.

Entre os principais itens de série estão faróis full LED, teto solar panorâmico, assentos dianteiros aquecidos e refrigerados, bancos dianteiros elétricos, ar-condicionado digital de duas zonas, direção elétrica, seis airbags, controle de cruzeiro adaptativo (ACC) e freio de estacionamento elétrico com a função Auto-hold.
Tudo acomodado dentro de um ambiente agradável, com acabamento emborrachado no painel, revestimento de couro nos bancos e nas portas e luz ambiente configurável. O painel de instrumentos de 12,3” se conecta com a central multimídia de igual tamanho – ambos apresentam as informações de modo claro e objetivo.
Mas dirigi-lo não empolga – e a culpa é dos outros carros da Ford. Como a experiência de condução nos demais modelos da marca é sempre prazerosa, chega-se ao modelo com uma expectativa que não é atendida, principalmente porque o Territory é fruto de uma parceria da marca estadunidense com a chinesa Jiangling Motor Company (JMC).

O que não é necessariamente ruim, mas interferiu no “sabor” do carro, que não tem a direção precisa de um Ford, a suspensão maliciosa de um Ford ou posição de guiar envolvente de um Ford. A modéstia dos 169 cv e 25,5 kgfm de torque também não contribui. Melhor focar em outros atributos, como seu porte imponente e o silêncio a bordo.
E também o fator da exclusividade: com 4.849 unidades emplacadas até junho, chama mais atenção nas ruas do que o Jeep Compass, líder do segmento com 27.038 unidades vendidas no primeiro semestre de 2026.