Gatos: pesquisas avaliam novas estratégias para combater a obesidade felina (Freepik)
Redatora
Publicado em 21 de julho de 2026 às 05h39.
Medicamentos para emagrecer que revolucionaram o tratamento da obesidade em humanos podem, no futuro, chegar também aos consultórios veterinários. Duas empresas de biotecnologia dos Estados Unidos iniciaram testes com terapias baseadas em agonistas do receptor de GLP-1 para gatos com sobrepeso, em uma das primeiras tentativas de adaptar essa classe de medicamentos à medicina veterinária.
Um dos projetos é conduzido pela Universidade Cornell, em parceria com a Akston Biosciences. O outro é desenvolvido pela OKAVA Pharmaceuticals. As terapias ainda estão em fase experimental e, até o momento, não existe Ozempic disponível para gatos.
A iniciativa foi destacada pela CNBC e acompanha uma transformação mais ampla do mercado pet, que vem ampliando investimentos em soluções voltadas ao controle do peso, à prevenção de doenças e ao aumento da longevidade dos animais.
O estudo da Universidade Cornell avalia uma terapia de aplicação semanal em aproximadamente 70 gatos com sobrepeso ou obesidade durante cerca de três meses. Já a OKAVA Pharmaceuticals testa um implante capaz de liberar continuamente um medicamento semelhante ao GLP-1 por até seis meses.
Os dois estudos investigam se essas terapias conseguem reduzir o apetite e promover a perda de peso de forma segura. Os resultados dos ensaios clínicos são esperados ainda este ano. Até o momento, nenhum deles teve resultados publicados em revistas científicas revisadas por pares.
A obesidade figura entre os desafios mais frequentes da medicina veterinária. Dados da Associação para a Prevenção da Obesidade em Animais de Estimação mostram que, em 2022, 61% dos gatos e 59% dos cães avaliados por veterinários nos Estados Unidos estavam acima do peso ou eram obesos.
Nos felinos, o controle do peso costuma ser mais complexo. Eles tendem a resistir a mudanças na alimentação, respondem de forma limitada ao aumento da atividade física e podem ser mais difíceis de medicar regularmente. Por isso, terapias de longa duração despertam interesse entre pesquisadores e veterinários.
O avanço dessas pesquisas acompanha uma mudança mais ampla na indústria de produtos para animais de estimação. Além dos alimentos premium, empresas do setor vêm ampliando investimentos em nutrição terapêutica, suplementos, exames diagnósticos e tratamentos voltados ao envelhecimento saudável.
Em entrevista à CNBC, o analista Simeon Gutman, do Morgan Stanley, afirmou que, medicamentos para obesidade deverão integrar esse conjunto de cuidados, sem substituir estratégias como alimentação especializada, programas de controle de peso e acompanhamento veterinário.
Segundo estimativas do Morgan Stanley indicam que os gastos com animais de estimação nos Estados Unidos podem passar de cerca de US$ 196 bilhões em 2025 para mais de US$ 240 bilhões em 2030.
Apesar do interesse da indústria, especialistas avaliam que ainda é cedo para prever se medicamentos baseados em GLP-1 se tornarão comuns na medicina veterinária.
Além da necessidade de comprovar segurança e eficácia nos ensaios clínicos e obter aprovação regulatória, Gutman avalia que o custo deve ser um dos principais fatores para definir a adoção desses tratamentos pelos proprietários.
Dessa forma, o analista destaca que o mercado deve continuar crescendo principalmente por meio de programas de controle de peso, dietas prescritas, nutrição especializada e diagnósticos, enquanto os medicamentos baseados em GLP-1 ainda precisam concluir sua fase de desenvolvimento antes de chegar às clínicas veterinárias.