Ciência

Aprovações de medicamentos contra o câncer na China superam as dos EUA, diz estudo

Dados mostram que China autorizou 94 novos medicamentos oncológicos entre 2020 e 2025, ante 87 nos Estados Unidos

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 20 de julho de 2026 às 21h11.

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Entre 2020 e 2025, a China aprovou 94 novos medicamentos contra o câncer, número superior aos 87 autorizados pelos Estados Unidos no mesmo período. Os dados fazem parte de um estudo publicado na segunda-feira pela revista Health Affairs e mostram uma mudança no ritmo de aprovações de tratamentos oncológicos nos dois países.

A Administração Nacional de Produtos Médicos da China ampliou o número de autorizações principalmente nos últimos anos do período analisado. Até 2022, a Food and Drug Administration (FDA), agência responsável pela regulação de medicamentos nos Estados Unidos, mantinha um número maior de aprovações. A relação mudou em 2023 e permaneceu favorável à China até 2025.

Em 2025, a China registrou quase três vezes mais aprovações de medicamentos oncológicos do que os Estados Unidos, segundo o levantamento. A pesquisa foi conduzida por especialistas da Universidade da Pensilvânia e da Friends of Cancer Research, organização de defesa voltada à pesquisa e às políticas relacionadas ao câncer.

Parte dos medicamentos autorizados no mercado chinês corresponde a versões desenvolvidas localmente de tratamentos que já estavam disponíveis nos Estados Unidos. Os dados, porém, indicam que o mercado norte-americano ainda concentra a maior parte das aprovações de medicamentos que inauguram novas formas de atuação contra o câncer.

Dos 36 tratamentos classificados pelo estudo como os primeiros a atingir células cancerígenas por meio de vias biológicas específicas, 30 receberam a primeira autorização nos Estados Unidos. A FDA também apresentou um prazo mediano de análise 117 dias menor do que o registrado pela agência reguladora chinesa para novos medicamentos.

Jeff Allen, presidente e CEO da Friends of Cancer Research e um dos autores do estudo, afirmou que os números refletem uma transformação na indústria farmacêutica chinesa. Há cerca de 15 anos, o setor estava concentrado principalmente na produção de medicamentos genéricos. Desde então, empresas locais passaram a desenvolver e comercializar novos fármacos.

"Isso demonstra uma mudança contínua e muito rápida nos investimentos da China no setor de biotecnologia e o sucesso que eles estão alcançando", afirmou Allen em entrevista.

Empresas chinesas ampliam participação no desenvolvimento de novos tratamentos

Entre os seis tratamentos first-in-class, termo usado para medicamentos que inauguram uma nova classe terapêutica ou mecanismo de ação, aprovados na China, três receberam autorização em 2025. Esses medicamentos atuam simultaneamente sobre duas vias biológicas do câncer que já eram conhecidas, reunindo em um único tratamento mecanismos que poderiam exigir terapias separadas.

Os três medicamentos foram desenvolvidos por fabricantes sediados na China e em Hong Kong: BeBetter Med Inc., Lepu Biopharma Co. e Chia Tai Tianqing Pharmaceutical Group Co., subsidiária da Sino Biopharmaceutical Ltd.

A diferença entre os mercados também aparece na sobreposição das autorizações. Apenas 14 medicamentos receberam aprovação tanto nos Estados Unidos quanto na China durante os seis anos analisados pelo estudo.

"Existe uma indústria doméstica altamente concentrada na China que ainda não se globalizou", disse Allen.

Ao mesmo tempo, empresas farmacêuticas internacionais passaram a recorrer a companhias chinesas para acordos de desenvolvimento de medicamentos. Esse movimento ocorre enquanto novos tratamentos chegam ao mercado doméstico e a indústria local amplia sua participação em diferentes etapas da cadeia biofarmacêutica.

Na última década, a China direcionou investimentos ao setor biofarmacêutico com o objetivo de ampliar sua participação em pesquisa, desenvolvimento e fabricação de medicamentos. Um relatório divulgado em novembro pela Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China, órgão que acompanha para o Congresso norte-americano as implicações econômicas e de segurança das relações entre os dois países, apontou a expansão da infraestrutura do setor.

"A sofisticada infraestrutura laboratorial da China e sua crescente base de fabricação de biotecnologia estão posicionando o país para se tornar líder na comercialização de descobertas científicas globais", afirmou o relatório.

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