Gripe aviária: surto de H5N1 provocou milhões de mortes entre aves e chegou a diferentes espécies de mamíferos (Zhao Yuguo/VCG/Getty Images)
Redatora
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 18h04.
A gripe aviária H5N1 avançou entre animais e passou a preocupar especialistas pelo potencial de adaptação aos seres humanos. O vírus, que já provocou a morte de milhões de aves, também foi detectado em mamíferos e rebanhos de gado leiteiro nos Estados Unidos, além de levar a casos isolados em pessoas.
Segundo a análise publicada no The Economist, ainda não havia evidências de transmissão sustentada entre humanos, mas a circulação do patógeno em diferentes espécies aumenta as oportunidades para o surgimento de novas características.
A principal preocupação está justamente nesse processo de adaptação. Alterações acumuladas durante a circulação entre hospedeiros poderiam, em um cenário futuro, favorecer uma transmissão mais eficiente entre pessoas.
Identificado pela primeira vez em 1996, o H5N1 se tornou um dos principais vírus associados à influenza aviária. Nos últimos anos, porém, sua presença deixou de estar concentrada apenas nas aves. O patógeno passou a infectar diferentes espécies de mamíferos e chegou a rebanhos de gado leiteiro nos EUA. Trabalhadores que tiveram contato próximo com os animais também foram diagnosticados com a infecção.
Até então, os casos humanos conhecidos eram considerados isolados e apresentavam quadros geralmente leves. Mesmo assim, especialistas destacados pelo jornal apontavam a possibilidade de subnotificação por limitações na vigilância.
A circulação de um vírus em diferentes animais cria novas oportunidades para sua evolução. A cada infecção, podem surgir alterações genéticas capazes de modificar características do patógeno.
Algumas adaptações observadas no H5N1 chamaram a atenção dos pesquisadores. Entre elas estão mudanças que podem estar relacionadas à capacidade de infectar novos hospedeiros. Isso, porém, não significa que o vírus esteja prestes a provocar uma pandemia humana. Para isso, seria necessário que adquirisse características que permitissem uma transmissão eficiente e contínua entre pessoas.
O problema é que não é possível prever exatamente quais alterações poderiam levar a esse cenário. Por isso, especialistas defendem que medidas de prevenção sejam adotadas antes de uma eventual mudança no comportamento do vírus.
Uma das principais estratégias é ampliar o monitoramento de animais e pessoas expostas ao H5N1. Testes realizados diretamente em fazendas podem identificar infecções com maior rapidez. Acompanhamento de trabalhadores rurais também pode revelar casos que não seriam detectados pelos sistemas convencionais.
Outra ferramenta citada é a análise de águas residuais. O monitoramento permite procurar sinais de agentes infecciosos em amostras coletadas de redes de esgoto. A expansão desse tipo de vigilância poderia melhorar a identificação de surtos antes que eles atinjam uma dimensão maior.
O cenário atual oferece algumas ferramentas que não estavam disponíveis no início de outras emergências sanitárias. Existem antivirais contra influenza, além de tecnologias para desenvolver e produzir vacinas.
Também há estoques limitados de imunizantes direcionados à gripe aviária. A ampliação da capacidade de fabricação pode ser importante caso o vírus adquira características que aumentem o risco para a população.
Pessoas que trabalham diretamente com animais infectados estão entre aquelas que merecem atenção especial. Medidas de proteção e acompanhamento podem reduzir a exposição e facilitar a identificação de eventuais infecções.
Outra recomendação é atualizar os planos de emergência sanitária. Governos podem verificar estoques de testes, vacinas e equipamentos de proteção antes que uma nova crise seja instalada.
A cooperação entre países também é considerada fundamental. O compartilhamento de sequências genéticas e informações sobre novos surtos permite acompanhar mudanças no comportamento do vírus.