Ciência

Como o maior tubarão luminoso do mundo usa a própria luz para enganar presas

Estudo mostra que a espécie ajusta a intensidade da bioluminescência para esconder a própria silhueta e atacar sem ser percebida nas profundezas

Tubarão-kitefin: maior vertebrado luminoso conhecido usa a própria luz para se camuflar e surpreender presas nas profundezas do oceano (iScience)

Tubarão-kitefin: maior vertebrado luminoso conhecido usa a própria luz para se camuflar e surpreender presas nas profundezas do oceano (iScience)

Publicado em 24 de agosto de 2026 às 19h18.

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O tubarão-kitefin (Dalatias licha) é considerado o maior vertebrado bioluminescente conhecido. Ele tem cerca de 1,8 metro de comprimento. Sua capacidade de emitir luz já era conhecida pelos cientistas, mas um novo estudo mostrou que esse brilho desempenha uma função muito mais sofisticada do que se imaginava. Em vez de servir apenas para camuflagem ou comunicação, ele ajuda o predador a desaparecer diante das presas e aumenta sua eficiência durante a caça nas profundezas do oceano.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica, e publicada pela revista iScience.

Como o tubarão desaparece diante das presas

Para entender esse mecanismo, os pesquisadores analisaram oito exemplares da espécie mantidos temporariamente em tanques escuros. Eles mediram a intensidade e as características da bioluminescência emitida pela pele e compararam os resultados com a luminosidade encontrada entre 480 e 540 metros de profundidade, faixa onde o animal costuma viver.

A análise mostrou que o brilho produzido pelo tubarão acompanha de perto a intensidade da luz que penetra da superfície. Além disso, os comprimentos de onda emitidos concentram-se principalmente nas cores azul e verde, predominantes nesse ambiente marinho.

Segundo os autores, essa combinação permite que o animal elimine praticamente sua silhueta quando observado de baixo para cima. Dessa forma, os peixes têm dificuldade para identificar o predador durante sua aproximação.

Estratégia também aumenta a eficiência da caça

O estudo indica que a bioluminescência oferece outra vantagem além da camuflagem. Enquanto reduz o contraste do próprio corpo em relação à luz ambiente, o tubarão também emite um brilho lateral que ilumina discretamente a região ao redor, ampliando seu campo de visão durante a perseguição.

Os pesquisadores chamaram esse comportamento de "hipótese do holofote" (searchlight hypothesis). Nessa estratégia, o predador consegue permanecer praticamente invisível para as presas ao mesmo tempo em que melhora sua capacidade de localizar animais nas águas profundas, onde a luz natural é extremamente limitada.

Descoberta amplia o conhecimento sobre a bioluminescência

Até agora, a bioluminescência em vertebrados marinhos era associada principalmente à comunicação, à atração de parceiros e à proteção contra predadores. O novo estudo mostra que, no caso do tubarão-kitefin, a emissão de luz também funciona como uma ferramenta ativa de caça.

Segundo os autores, a descoberta revela uma adaptação altamente especializada às condições das profundezas do oceano e ajuda a explicar como esse predador consegue explorar um ambiente com pouca luminosidade para capturar presas com maior eficiência.

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