Ciência

Nova teoria sugere que o Universo pode armazenar memórias do passado

Hipótese sugere que informações deixadas no espaço-tempo podem ajudar a explicar matéria escura e buracos negros

Memória cósmica: teoria propõe que o espaço-tempo registra informações de tudo o que acontece no Universo (Getty Images)

Memória cósmica: teoria propõe que o espaço-tempo registra informações de tudo o que acontece no Universo (Getty Images)

Publicado em 21 de junho de 2026 às 16h03.

Priorizar nos meus resultados Google

A ideia de que o Universo pode guardar uma espécie de memória de tudo o que acontece pode soar como ficção científica, mas uma nova teoria propõe exatamente isso. Segundo pesquisadores, cada interação entre partículas e forças da natureza deixaria registros permanentes na própria estrutura do espaço-tempo. Se a hipótese estiver correta, ela pode ajudar a explicar alguns dos maiores mistérios da física moderna, como a matéria escura, a energia escura e os buracos negros.

A proposta foi apresentada por Florian Neukart, professor assistente de física da Universidade de Leiden, em artigo publicado na plataforma The Conversation. O objetivo é encontrar uma forma de aproximar as duas principais teorias da física: a relatividade geral, de Albert Einstein, que descreve a gravidade e o comportamento do Universo em grande escala, e a mecânica quântica, que explica o mundo das partículas subatômicas.

O que é a teoria da memória cósmica?

O modelo recebeu o nome de Matriz de Memória Quântica (MMQ). Nele, o espaço-tempo não seria contínuo, mas formado por unidades extremamente pequenas, semelhantes a células microscópicas. Cada uma delas seria capaz de registrar informações sobre eventos que acontecem ao seu redor, como a passagem de partículas ou a ação das forças fundamentais da natureza.

Segundo os autores, isso significa que o Universo não apenas evolui ao longo do tempo, mas também armazena vestígios de sua própria história.

Como a teoria tenta explicar buracos negros e matéria escura

Uma das aplicações mais interessantes da teoria envolve o chamado paradoxo da informação dos buracos negros. Pela relatividade geral, tudo o que cai em um buraco negro pode desaparecer para sempre. Já a mecânica quântica afirma que a informação não pode ser destruída.

A hipótese da memória cósmica sugere uma solução: as informações não seriam apagadas, mas registradas nas estruturas do espaço-tempo ao redor do buraco negro.

Os pesquisadores também argumentam que esses registros acumulados poderiam produzir efeitos gravitacionais semelhantes aos atribuídos à matéria escura, componente invisível que parece influenciar o movimento das galáxias.

Nesse cenário, parte do comportamento observado no cosmos poderia ser explicada sem a necessidade de propor novas partículas ainda não detectadas.

Qual seria a relação com a energia escura?

A teoria vai além e sugere uma possível explicação para a energia escura, fenômeno associado à expansão acelerada do Universo. De acordo com o modelo, quando a capacidade de armazenamento de informação do espaço-tempo se aproxima do limite, surge uma energia residual com características semelhantes às atribuídas à energia escura observada pelos cosmólogos.

Outra consequência da proposta é a possibilidade de um Universo cíclico. Os autores sugerem que fases sucessivas de expansão e contração poderiam ocorrer ao longo da história cósmica. Quando a capacidade informacional do espaço-tempo fosse atingida, haveria um "rebote", iniciando um novo ciclo em vez de um colapso definitivo.

Embora a teoria ainda esteja longe de ser comprovada, partes de seus conceitos já foram testadas em computadores quânticos. Os pesquisadores utilizaram qubits para simular os mecanismos previstos pelo modelo e obtiveram resultados considerados promissores.

Por enquanto, a memória cósmica permanece uma hipótese. Ainda assim, ela oferece uma nova perspectiva para investigar questões fundamentais sobre a origem, a evolução e o destino do Universo.

Acompanhe tudo sobre:AstronomiaEspaçoBuracos negros

Mais de Ciência

Gosta de café bem quente? Hábito pode triplicar risco de câncer de esôfago, diz estudo

Novo 'interruptor' dos ossos pode abrir caminho para tratar osteoporose

Novo efeito do Ozempic: estudo encontra relação com menos crises de asma

Fumar para socializar? Estudo mostra que hábito traz mais solidão