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Matriz elétrica: infraestrutura moderna é essencial para ampliar os benefícios da energia renovável.
Colunista
Publicado em 22 de julho de 2026 às 15h00.
O Brasil possui uma matriz elétrica formada principalmente por fontes renováveis. Nos últimos anos, cerca de 90% da eletricidade gerada no país teve origem em fontes limpas, percentual significativamente superior à média mundial.
Além de contribuir para uma matriz elétrica sustentável, as renováveis também se destacam pela competitividade de seus custos. Essa combinação deveria dar um duplo benefício ao país: energia limpa e tarifas mais acessíveis. Mas, na prática esse potencial ainda não se traduz integralmente em contas de luz mais baixas, sobretudo para famílias de menor renda, que destinam parcela proporcionalmente maior de seu orçamento ao pagamento da fatura de energia.
Parte dessa realidade decorre de distorções existentes na estrutura tarifária, algumas delas associadas a subsídios que já perderam sua razão original. Apenas em 2025, os subsídios incluídos nas contas de luz alcançaram R$ 58,4 bilhões, o equivalente a 18,3% da tarifa paga pelos consumidores residenciais brasileiros, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica.
Estudos recentes liderados pela PSR, como o relatório da Coalizão do Setor Elétrico, elaborado a partir da articulação do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), buscam discutir esse assunto, fazendo diagnósticos e propondo caminhos para solucioná-lo. Com o objetivo de contribuir para o debate da COP30, no ano passado, o trabalho evidencia como o setor elétrico pode fortalecer a competitividade da economia brasileira ao mesmo tempo em que acelera a transição para um modelo de desenvolvimento mais sustentável.
A concretização desse potencial passa por diferentes frentes de atuação. Entre elas, destaca-se a modernização das redes elétricas, que constituem a infraestrutura responsável por conectar toda a cadeia de valor do setor de energia brasileiro. Os sistemas de transmissão e distribuição, por exemplo, permitem aproveitar os benefícios da complementariedade entre fontes hidrelétricas, eólicas e solares, característica que torna a matriz brasileira mais eficiente, confiável e competitiva.
Na área de distribuição, um dos principais desafios é ampliar a adoção de sistemas de medição inteligente. Essa tecnologia permitirá incorporar sinais de preço mais adequado, incentivando o consumo eficiente de energia e viabilizando a modernização tarifária.
Outro aspecto relevante é preparar a infraestrutura para os impactos das mudanças climáticas. Secas mais intensas reduzem a disponibilidade hídrica para geração de eletricidade, enquanto eventos climáticos extremos aumentam os riscos para as redes de transmissão e distribuição. Por isso, incorporar previsões climáticas ao planejamento da operação e aperfeiçoar o marco regulatório são medidas fundamentais para aumentar a resiliência do sistema.
O Brasil reúne uma combinação única de condições para fazer de sua matriz elétrica renovável uma vantagem competitiva. Consolidar esse diferencial será decisivo para o futuro do setor elétrico e o desenvolvimento sustentável do país.