O American Dream, em East Rutherford, Nova Jersey, ocupa quase 280 mil metros quadrados a poucos minutos do MetLife Stadium (Divulgação)
Jonalista colaborador
Publicado em 15 de julho de 2026 às 09h42.
A Copa do Mundo de 2026 transformou shoppings americanos em pontos de encontro para torcedores estrangeiros, especialmente nas cidades onde os complexos comerciais ficam a poucos minutos dos estádios. O caso mais citado é o American Dream, em East Rutherford, Nova Jersey, a cerca de 15 minutos a pé do MetLife Stadium. O shopping ocupa quase 280 mil metros quadrados e reúne parque aquático, pista de gelo, montanha-russa indoor e área de laser tag, tudo em um ambiente com temperatura controlada. Vans e ônibus escolares amarelos, usados pelas autoridades de trânsito para levar torcedores de Nova York até a região do estádio, passaram a ter o shopping como parada intermediária no trajeto.
Segundo relatos de torcedores latino-americanos publicados na imprensa internacional, a experiência chamou atenção justamente por não ter equivalente na região de origem, onde o torcedor costuma se concentrar diretamente no entorno do estádio ou em bares de bairro antes das partidas. Na Europa, a lógica é parecida: falta a combinação entre estádio de futebol e centro comercial de grande porte a poucos minutos de distância, algo comum nos Estados Unidos.
O DreamWorks Water Park, dentro do American Dream, é uma das atrações que tornaram o shopping ponto de encontro de torcedores durante a Copa (Divulgação)
O tamanho do American Dream e a variedade de atrações fizeram com que boa parte do público estrangeiro descrevesse o lugar como mais parecido com um parque temático do que com um shopping tradicional. Torcedores relataram dificuldade em se orientar dentro do complexo, mesmo consultando o diretório digital de lojas e restaurantes disponível no local.
Entre as atividades oferecidas durante o período do torneio estão rodadas de minigolfe temático, serviço de pintura facial com as cores das seleções por valores em torno de US$ 10 e trilha sonora com música pop tocando nas áreas comuns. As praças de alimentação, com opções como pizza e hambúrguer, também funcionaram como ponto de parada entre um jogo e outro, especialmente para quem buscava um ambiente fechado e climatizado.
O fenômeno dos shoppings como refúgio está diretamente relacionado às condições climáticas registradas durante o torneio. Cidades-sede como Houston, Kansas City e Dallas tiveram temperaturas na casa dos 35°C ao longo da competição, o que tornou o ar-condicionado um dos assuntos mais comentados por visitantes estrangeiros nas redes sociais. Em Houston, a organização da FIFA Fan Fest chegou a instalar estações de nebulização, pontos de hidratação e áreas sombreadas para lidar com o calor.
A hashtag relacionada à Copa ultrapassou 8 milhões de publicações no TikTok, incluindo vídeos sobre a diferença de temperatura entre o ambiente externo e os espaços internos americanos. Torcedores da Suécia e da Inglaterra descreveram a sensação de sair de temperaturas próximas de 35°C na rua para entrar em hotéis, restaurantes e shoppings com ar-condicionado em potência elevada.
O shopping Pacific Place, em Seattle, abriga o Seattle Soccer House, com telão de LED de quatro andares montado dentro do prédio de cinco pavimentos (Divulgação)
O modelo se repetiu em outras cidades-sede. Em Seattle, o shopping Pacific Place abriga o chamado Seattle Soccer House, com uma tela de LED de quatro andares instalada dentro do prédio de cinco pavimentos. O espaço funcionou como ponto de encontro para torcedores até a última partida da cidade na fase de grupos, em 6 de julho, com ativações interativas e estandes informativos distribuídos entre as lojas.
A combinação entre proximidade dos estádios, estrutura de lazer e clima controlado fez com que shoppings passassem a integrar o roteiro de torcedores estrangeiros durante a Copa de 2026, ao lado de estádios, fan fests oficiais e pontos turísticos tradicionais das cidades-sede.