Dolly Parton: artista deixou contribuições para a ciência, a saúde e a educação (AFP)
Redatora
Publicado em 26 de agosto de 2026 às 21h33.
Dolly Parton deixou contribuições que ultrapassaram a música e chegaram à ciência, à saúde e à educação. A cantora, que morreu aos 80 anos, apoiou pesquisas sobre a vacina contra a Covid-19, defendeu a imunização e inspirou o nome da famosa ovelha clonada.
De acordo com a revista Nature, entre principais iniciativas da artista está uma doação milionária para pesquisas médicas e um projeto de alfabetização que distribui livros gratuitamente para crianças.
Em março de 2020, Dolly Parton doou US$ 1 milhão ao Centro Médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, nos Estados Unidos. O valor ajudou a criar o Fundo de Pesquisa Dolly Parton para a Covid-19, voltado ao financiamento de pesquisas sobre a doença.
Os recursos contribuíram para os primeiros estágios de uma pesquisa sobre uma vacina de RNA mensageiro que mais tarde foi desenvolvida pela Moderna.
O fundo também aparece nos agradecimentos de pelo menos 37 artigos científicos, segundo levantamento da Nature.
A cantora também usou a própria imagem para incentivar a vacinação. Em março de 2021, Parton recebeu uma dose da vacina contra a Covid-19 no Centro Médico da Universidade Vanderbilt.
Na ocasião, ela publicou imagens da vacinação e adaptou a letra de “Jolene” para incentivar outras pessoas a receberem o imunizante.
Pesquisadores da Universidade Vanderbilt destacaram que a exposição pública de Parton ajudou a tornar a vacinação mais próxima do cotidiano das pessoas. Para William Shaffner, pesquisador em medicina preventiva da instituição, a cantora criou uma conexão entre a saúde pública e o público em geral.
A atuação de Parton na área da saúde começou antes da pandemia. Na região onde nasceu, no Tennessee, a cantora ajudou a arrecadar US$ 500 mil para o LeConte Medical Center.
A instituição inaugurou, em 2010, um centro dedicado a serviços de saúde para mulheres. Parton também destinou US$ 1 milhão à Universidade Vanderbilt para pesquisas sobre doenças infecciosas pediátricas.
Em fevereiro deste ano, o East Tennessee Children's Hospital, em Knoxville, passou a se chamar Dolly Parton Children's Hospital após receber uma doação cujo valor não foi divulgado. O recurso financia iniciativas como residência médica em pediatria, telemedicina para áreas rurais e recrutamento de especialistas.
A ligação mais conhecida entre Dolly Parton e a ciência está na ovelha Dolly. O animal foi o primeiro mamífero clonado a partir de uma célula adulta. Dolly nasceu em 1996 no Instituto Roslin, na Escócia.
O nome da ovelha surgiu de uma referência direta à cantora. As células usadas no processo de clonagem foram obtidas de tecido mamário, o que levou um dos pesquisadores envolvidos no nascimento a sugerir o nome Dolly.
Em entrevista à Nature em 2016, John Bracken, assistente de pesquisa agrícola do Instituto Roslin, contou que a escolha foi feita justamente por causa da origem do material utilizado na clonagem. Anos depois, Parton disse que se sentiu lisonjeada com a homenagem.
A associação entre seu nome e o animal acabou aproximando uma das figuras mais conhecidas da música country de um dos experimentos mais marcantes da biologia moderna.
A atuação da cantora também alcançou a alfabetização infantil. Em 1995, Parton criou a Dolly Parton Imagination Library, iniciativa que envia um livro gratuito por mês para crianças desde o nascimento até os 5 anos de idade.
Atualmente, uma em cada seis crianças americanas com menos de cinco anos recebe livros por meio do programa, segundo a Nature.
Pesquisas realizadas sobre a iniciativa apontaram aumento na frequência com que os pais leem para os filhos e melhora no desempenho das crianças em testes de linguagem e alfabetização.
Além das contribuições para a ciência, a saúde e a educação, Parton também construiu uma trajetória marcada pela música, pelo cinema, pelos negócios e pela filantropia. Ao longo de mais de seis décadas, a cantora transformou sua carreira artística em uma atuação que alcançou diferentes áreas e deixou marcas para além dos palcos.