Dolly Parton: a cantora country morreu nesta terça-feira, 25 (Robyn Beck / AFP)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 25 de agosto de 2026 às 15h21.
Última atualização em 25 de agosto de 2026 às 15h43.
A cantora Dolly Parton morreu nesta terça-feira, 25, aos 80 anos. A morte foi confirmada pela família da artista por meio de um vídeo publicado nas redes sociais.
A artista construiu uma carreira que ultrapassou as fronteiras da música country. Cantora, compositora, atriz, empresária e filantropa, a americana saiu de uma família pobre das montanhas do Tennessee para se tornar uma das artistas mais reconhecidas da cultura popular dos Estados Unidos.
Ao longo de mais de seis décadas de carreira, escreveu clássicos como "Jolene", "Coat of Many Colors" e "I Will Always Love You", vendeu milhões de discos e levou sua atuação também para o cinema e os negócios.
Dolly Rebecca Parton nasceu em 19 de janeiro de 1946, em Locust Ridge, no Tennessee, e foi a quarta de 12 filhos. Criada em uma região rural dos Montes Apalaches, cresceu em uma família com poucos recursos, mas cercada pela música. A mãe cantava e o avô era pregador e músico. A própria infância acabaria servindo de matéria-prima para parte importante de suas composições.
Com músicas regravadas por grandes nomes e uma imagem que atravessou gerações, a cantora se tornou uma referência para artistas do pop, de Miley Cyrus, sua afilhada, a Beyoncé.
Parte do impacto de Dolly Parton está em sua capacidade de transformar experiências pessoais em canções que ganharam novas interpretações. Em 1973, por exemplo, ela escreveu “Jolene” e “I Will Always Love You” em uma mesma sessão de composição. As duas se tornaram sucessos no country americano.
“I Will Always Love You”, porém, alcançaria uma dimensão ainda maior quase duas décadas depois. Em 1992, Whitney Houston gravou a música para a trilha sonora do filme "O Guarda-Costas", o que transformou a composição de Parton em um dos maiores sucessos de sua carreira.
A versão de Houston foi construída de maneira muito diferente da gravação original. O arranjo ganhou uma escala mais dramática, com uma abertura a cappella e um clímax vocal que explorava toda a potência da cantora. Para Parton, a releitura também representou uma demonstração do alcance de suas composições.
Antes disso, Elvis Presley chegou a demonstrar interesse em gravar “I Will Always Love You”. A negociação, no entanto, não avançou porque o empresário do cantor, Colonel Tom Parker, exigiu metade dos direitos autorais da música. Parton recusou a proposta, mesmo admitindo posteriormente que passou a noite chorando por ter tomado a decisão.
A relação de Dolly Parton com Miley Cyrus é especialmente simbólica. Parton era madrinha da cantora antes mesmo de seu nascimento, depois que Billy Ray Cyrus, pai de Miley, pediu que ela assumisse o papel.
As duas também dividiram a televisão. Parton apareceu em episódios de "Hannah Montana", série protagonizada por Miley, interpretando a tia da personagem. Fora das telas, as duas cantaram juntas em diferentes ocasiões, incluindo uma apresentação no Grammy de 2019.
A influência de Parton sobre Miley também aparece na música. Ao longo da carreira, Cyrus demonstrou admiração pela capacidade da madrinha de transitar entre country, pop e rock sem abandonar suas raízes. “Jolene”, lançada originalmente por Parton em 1973, tornou-se uma das canções mais associadas à cantora mais jovem.
Em 2024, a relação ganhou ainda um capítulo curioso: uma pesquisa genealógica apontou que as duas são primas em sétimo grau. O ancestral em comum é John Brickey, nascido na Virgínia em 1740. Ele seria o sexto bisavô de Parton e o sétimo de Cyrus.
Se Miley teve uma relação pessoal e artística com Parton, Beyoncé realizou um desejo que a cantora country havia manifestado publicamente. Em uma entrevista de 2022, Parton disse que gostaria de ouvir Beyoncé interpretar “Jolene” e comparou a possibilidade ao impacto que Whitney Houston havia causado ao regravar “I Will Always Love You”.
O pedido se concretizou em "Cowboy Carter", álbum de Beyoncé lançado em 2024. A cantora incluiu uma nova versão de “Jolene”, apresentada por uma participação de Dolly antes da faixa. Em vez de reproduzir literalmente a perspectiva da composição original, Beyoncé modificou a abordagem da letra e transformou o pedido desesperado de Parton em um aviso mais incisivo à personagem-título.
Parton aprovou a releitura. Em entrevista ao E! News, afirmou que achou “ousada” a versão de Beyoncé e destacou que, como compositora, gosta de ver outros artistas fazendo suas próprias interpretações de suas músicas.
“Ela não ia implorar para outra mulher, como eu fiz”, disse Parton sobre a nova abordagem de Beyoncé.
A presença de Parton em "Cowboy Carter" foi além de “Jolene”. A cantora gravou uma introdução chamada “Dolly P” que antecede a música e também aparece em “Tyrant”. A participação reforçou a conexão entre a tradição country representada por Parton e a proposta de Beyoncé de explorar as raízes negras da música country.
Parton também elogiou o álbum como um todo e afirmou ter ficado orgulhosa do trabalho de Beyoncé no gênero. Para ela, porém, a nova versão de “Jolene” não precisava seguir exatamente os moldes da gravação original: a vida de Beyoncé é diferente da sua, e a cantora poderia adaptar a história à própria realidade.